Título: Taxa de investimento aumenta para 20,1%
Autor: Grabois, Ana Paula
Fonte: Valor Econômico, 29/09/2006, Brasil, p. A3
A taxa de investimento da economia brasileira atingiu 20,1% do Produto Interno Bruto (PIB) entre abril e junho deste ano, a maior desde 1997 para um segundo trimestre, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em período correspondente de 2005, a taxa de investimento ficou em 19,9%. "Podemos atribuir alguns fatores para essa ligeira alta, como a Selic mais baixa e o aumento de crédito a pessoas jurídicas", disse a economista da Coordenação de Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, Maria Laura Muanis.
A pequena elevação na taxa também levou em conta o baixo crescimento do PIB em volume no segundo trimestre -1,2% em relação a intervalo equivalente do ano passado. Considerando a mesma base de comparação, os investimentos subiram 2,9%. No primeiro semestre do ano, a taxa de investimento em relação ao PIB também registrou expansão, ao passar para 20,5% depois de ficar em 19,9% na primeira metade de 2005.
Em contrapartida, a taxa de poupança apresentou retração, ao atingir 23,2% no segundo trimestre de 2006 ante 23,9% no segundo trimestre do ano passado. A economista do IBGE disse que a principal razão para isso foi o aumento do consumo das famílias e do governo no período. Na comparação entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2005, em volume, o consumo das famílias subiu de 4% enquanto o consumo do governo teve alta de 1,8%.
O PIB do segundo trimestre de 2006, medido a preços de mercado, totalizou R$ 508,7 bilhões, mostrou o IBGE. Deste valor, R$ 453,8 bilhões corresponderam ao valor adicionado na economia e R$ 54,9 bilhões foram referentes aos impostos sobre produtos.
Por setores de atividade que compõem o valor adicionado, o PIB da agropecuária foi de R$ 37,9 bilhões. A indústria produziu R$ 184,5 bilhões e os serviços, R$ 252,9 bilhões. Pelos itens de demanda que formam o PIB, o consumo das famílias somou R$ 282,3 bilhões e o consumo do governo contabilizou R$ 94,2 bilhões. A formação bruta de capital fixo, um indicativo dos investimentos, chegou a R$ 102,2 bilhões.
O dólar baixo já causa um efeito negativo sobre a capacidade de financiamento do país, segundo os dados do IBGE referentes ao segundo trimestre. A capacidade de financiamento do país ficou em R$ 3,1 bilhões no segundo trimestre, após registrar R$ 5,9 bilhões em igual período do ano passado. "O câmbio foi o principal fator", disse a economista do IBGE Cláudia Dionísio. Com o real valorizado, as exportações diminuíram e as importações cresceram.