Título: Atritos não afetam o comércio com bolivianos
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 19/07/2012, Internacional, p. A13
A piora no clima dos investimentos brasileiros na Bolívia não afetou a troca de produtos entre os dois países. Entre janeiro e junho, a corrente de comércio cresceu 27%, impulsionada pela compra de gás natural por parte do Brasil. Com isso, o déficit brasileiro com a Bolívia em relação ao primeiro semestre do ano passado subiu 87%, para US$ 946 milhões. O valor se aproxima do saldo negativo de US$ 1,3 bilhão em todo o ano de 2001.
Só de gás, os bolivianos venderam US$ 1,6 bilhão entre janeiro e junho, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), preenchendo praticamente toda a pauta de exportação do país ao Brasil. Minérios, sais, madeira e produtos hortícolas contribuíram com US$ 45 milhões e fecharam as vendas totais no período.
A compra brasileira da matéria-prima, que no primeiro semestre de 2011 havia chegado a US$ 1,1 bilhão, fez do país o maior parceiro comercial da Bolívia em 2011, segundo dados do Banco Central boliviano. A Argentina, com metade do volume comercial brasileiro, ocupou o segundo posto.
Se as importações brasileiras se resumem ao gás, as exportações são diversificadas, com maior valor agregado. Máquinas e aparelhos mecânicos, item mais vendido, respondeu por US$ 122 milhões dos US$ 724 milhões totais do período. Petróleo cru, ferro fundido e aço, veículos, plásticos, calçados e aparelhos eletrônicos também ajudaram a abastecer o consumo boliviano, que demandou 5,6% a mais dos produtos produzidos no Brasil do que ano anterior.
Na série anual recente, o ritmo no comércio bilateral vem aumentando. Entre 2006 e 2011, a corrente comercial entre os dois países dobrou em cifras, com crescimento tanto das importações quanto das exportações. Se naquele ano o valor total registrada pelo Mdic foi de US$ 2,1 bilhões, em 2011 ele pulou para US$ 4,3 bilhões no acumulado do ano. Mesmo em 2009, ano da crise internacional, a corrente de comércio ficou em um nível maior do que três anos antes.