Título: José Roberto Arruda vence pleito no DF
Autor: Izaguirre, Mônica
Fonte: Valor Econômico, 02/10/2006, Política, p. A12

Pela primeira vez em quatro eleições, o Distrito Federal definiu em primeiro turno o seu governador, segundo resultado parcial divulgado às 20h10 pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF). Com 99,98% das urnas e votos apurados, José Roberto Arruda, do PFL, vencia a disputa ao Palácio do Buriti com 50,38% dos votos válidos. Por pequena margem, ele evitou um segundo turno contra Maria de Lourdes Abadia, da coligação PSDB-PMDB, atual governadora, que tinha 23,97% até aquele momento. Arlete Sampaio, candidata do PT, aparecia com 20,94%.

Arruda venceu apesar do apoio dado pelo ex-governador Joaquim Roriz (PMDB), um dos políticos mais populares e influentes do DF, a Maria Abadia (PSDB), que era sua vice. Roriz não conseguiu garantir a continuidade de sua sucessora, mas, ainda assim, saiu vitorioso das urnas como candidato a senador. Com quase 100% das urnas apuradas, o resultado do TRE lhe atribuía 51,82% dos votos válidos - quase nove pontos percentuais à frente do ex-ministro do Esporte do governo Lula, Agnelo Queiroz (PCdoB), candidato a senador pela mesma coligação de Arlete Sampaio, que tinha 42,93%.

Afetado pelas denúncias de corrupção no âmbito federal, o PT perdeu espaço entre os mais de 1,655 milhão de eleitores do DF, mesmo tendo lançado uma candidata com "o nome limpo", um dos principais argumentos da campanha de Arlete. O partido caiu para a terceira posição na disputa pelo GDF após três eleições de muita polarização com o grupo político de Joaquim Roriz. Na primeira dessas três, em 1994, os petistas derrotaram Valmir Campelo, candidato de Roriz, no segundo turno, levando Cristóvam Buarque (hoje no PDT) ao Palácio do Buriti.

Em 1998, quando enfrentou diretamente o próprio Roriz, o PT perdeu, mas por pequena margem, só no segundo turno. Houve virada, pois Cristóvam, então candidato à reeleição, tinha ficado na frente no primeiro turno. Em 2002, com Geraldo Magela, o partido de Lula também chegou ao segundo turno e perdeu por muito pouco. Roriz conseguiu a reeleição por aproximadamente 16 mil votos de diferença apenas.

Desde que Brasília passou a ter direito a eleger seu governador, essa é a segunda vez que a disputa se resolve logo no primeiro turno. A primeira foi em 1990, quando Roriz, que já havia ocupado o posto por nomeação, venceu a primeira eleição para o cargo no Distrito Federal.

O governador eleito ontem é dissidente do grupo político de Joaquim Roriz, de quem foi secretário de obras no início dos anos 90 e obteve apoio para a candidatura a senador em 1994, quando se elegeu pelo PSDB. O rompimento veio nas eleições de 1998, quando Arruda se apresentou como alternativa ao antigo padrinho político e a Cristóvam Buarque na disputa pelo Palácio do Buriti. Derrotado logo no primeiro turno - ficou em terceiro lugar -, ele seguiu no Senado onde deveria ficar, em princípio, até final de 2002.

O mandato dele como senador, porém, foi interrompido pelo envolvimento no escândalo da violação do sigilo do painel eletrônico de votação, episódio no qual foi acusado também o até hoje senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Arruda se viu obrigado a renunciar ao cargo, em 2000. Pela mesma razão, os tucanos passaram a rejeitá-lo, obrigando-o a mudar de partido, antes que fosse expulso.

Em 2002, José Roberto Arruda se reergueu politicamente, elegendo-se deputado federal com expressiva votação pelo PFL, partido que o acolheu depois do episódio do painel do Senado. Dentro do partido, disputou a candidatura a governador este ano com o senador Paulo Otávio, que acabou aceitando a vaga de vice na chapa.

O processo eleitoral transcorreu relativamente tranqüilo no DF. Os incidentes, que incluíram prisões de candidatos a deputado distrital por propaganda de boca de urna, não comprometeram resultados, segundo o TRE. Entre os problemas, considerados poucos, houve um episódio isolado de fraude. Um eleitor conseguiu votar no lugar filho, levando a Justiça Eleitoral a substituir a urna eletrônica por uma tradicional e a avaliar uma possível anulação de aproximadamente uma centena de votos. Houve também prisões de motoristas de veículos coletivos por transporte gratuito de eleitores e de pessoas que estavam vendendo bebida alcóolica.