Título: Itacaré cria fundo para investir em empreendimentos no Nordeste
Autor: Capela, Maurício
Fonte: Valor Econômico, 02/10/2006, Empresas, p. B1
Praias no litoral brasileiro, hotéis luxuosos, sol e calor. A combinação pode parecer perfeita para umas férias. Mas não para todo mundo. Pedro Miranda, que já geriu fundos imobiliários do megainvestidor George Soros, quer transformar cenários paradisíacos em uma aplicação financeira.
O executivo está abrindo um fundo de investimento cuja meta é obter rentabilidade a partir da incorporação de empreendimentos imobiliários em praias da região Nordeste. "O Brasil está se transformando em um destino exótico, bastante atraente. Aqui não tem terrorismo nem adversidades como furacões e tsunamis", avalia Miranda.
Hoje, o fundo da Itacaré Capital Partners, nome dado à gestora dos investimentos, tem um patrimônio de 11 milhões de euros. Porém Miranda quer levá-lo à bolsa de Londres para captar mais cerca de 100 milhões de euros de pessoas que acreditam que o turismo pode ser uma boa aplicação. O dinheiro seria suficiente para incorporar de seis a oito empreendimentos.
A partir da Grécia, Miranda já geriu um negócio semelhante: o Dolphin Capital Investors, fundo listado na bolsa londrina em 2005. Investimentos de cerca de 120 milhões de euros estão sendo feitos em resorts acoplados a condomínios residenciais de férias, em países como a própria Grécia, Turquia, Croácia e Chipre. A idéia atraiu investidores como a americana Fortress, que gere US$ 15 bilhões em títulos ligados ao mercado imobiliário.
Agora, o executivo decidiu mudar-se para o Brasil para criar um fundo similar no país. "Existe uma carência muito grande de hotéis de luxo nas praias brasileiras. De outro lado, há demanda internacional por casas de férias", avalia.
Vender casas no litoral brasileiro para europeus não é exatamente uma novidade. A Odebrecht, por exemplo, lançou um condomínio na Bahia, próximo ao complexo Costa do Sauípe e vendeu boa parte de seus imóveis para portugueses e espanhóis. A diferença agora é o público que a Itacaré Capital Partners quer atingir: endinheirados que tenham de quatro a cinco casas espalhadas pelo mundo.
Os projetos terão hotéis de cinco a seis estrelas e condomínios de casas luxuosas. Os imóveis serão destinados principalmente para o turista estrangeiro, capaz de pagar cerca de US$ 1 milhão por um endereço de férias no Brasil.
De acordo com Miranda, o componente residencial é o que garante a rentabilidade do fundo. "O retorno imobiliário é muito mais rápido do que o de um hotel. Além disso, constrói-se a um baixo custo no Brasil e se consegue vender a um preço elevado a estrangeiros."
No momento, o executivo está analisando 12 projetos na Bahia, no Rio de Janeiro, no Ceará e em Alagoas. Um deles é o resort Warapuru, em Itacaré (BA), que será inaugurado no início de 2007. Cada uma das 11 casas - todas já vendidas - custa mais de US$ 1 milhão. O empreendimento pertence a João Vaz Guedes, membro da família que era dona da construtora portuguesa Somague.