Título: Italiana Terna vai lançar ações no Nível 2 da Bovespa em 2006
Autor: Capela, Maurício
Fonte: Valor Econômico, 02/10/2006, Empresas, p. B1

A Terna Participações, filial da italiana Terna SpA e que no Brasil controla as companhias de linhas de transmissão Novatrans Energia e Transmissora Sudeste Nordeste, vai lançar ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A empresa, que já pediu o registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), junta-se a outros grupos do setor de energia que elegeram o mercado de capitais como forma de viabilizar aquisições e investimentos.

A direção da Terna no Brasil não comenta o assunto. Mas o Valor apurou que a filial do grupo italiano, que fatura R$ 460 milhões no Brasil e 1,02 bilhão de euros no mundo, estuda abrir entre 25% e 30% do capital total da Terna Participações no Nível 2 da Bovespa até novembro próximo.

Além disso, o projeto é colocar ao redor de 22 milhões de units à disposição dos investidores, sendo que cada unit conterá duas ações preferenciais e uma ordinária. A Terna já teria contratado, inclusive os bancos UBS, Itaú BBA e Goldman Sachs para auxilia-la na operação. Procuradas, as instituições financeiras também não falaram sobre o assunto.

Mesmo sendo difícil estimar o valor que o papel da Terna poderia alcançar no mercado, fontes acostumadas a este tipo de operação informaram que provavelmente a unit seguirá os patamares praticados por outras empresas de energia que se lançaram na bolsa. Um bom exemplo é a Equatorial Energia, do grupo GP, que fez uma oferta pública de ações em março passado e arrematou R$ 16,67 por unit. A operação rendeu R$ 540,2 milhões.

Mas negociar ações no Nível 2 da Bovespa, além de exigir que a empresa faça uma oferta envolvendo no mínimo 25% do seu capital, também traz uma série de obrigações. O conselho de administração, por exemplo, precisa ter no mínimo cinco membros, sendo que pelo menos 20% devem ser independentes. Também é necessário seguir o padrão contábil americano, US GAAP, e garantir o direito de "tag along" aos acionistas. Isso significa que o investidor que possuir a ação ordinária terá direito a 100% do valor pago pelo papel e o acionista preferencial receberá 80% do montante em caso de venda do negócio.

"A investida da Terna faz sentido, desde que esteja de acordo com sua estrutura de capital. Isso quer dizer que a empresa precisa comparar os diversos mecanismos de financiamento, porque o BNDES, por exemplo, também possui boas linhas de financiamento", diz uma fonte do setor.

Dentro do setor elétrico especula-se que o objetivo da Terna ao abrir o capital é buscar recursos ou para fazer aquisições ou para viabilizar novos projetos no setor de linhas de transmissão. O segmento é conhecido pela sua fragmentação. Há muitos grupos e projetos em andamento.

"O negócio de linhas de transmissão é o que está melhor no setor de energia. Se o governo federal não fizer populismo tarifário, ele continuará a ser rentável e continuará a atrair capital privado", afirma Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE).

Para Pires, há espaço para movimentos de consolidação neste segmento, porque realmente há muitos grupos. "O segmento de transmissão é o que tem menor risco, mas também traz uma menor rentabilidade. Isso, porque a revisão tarifária garante a remuneração e não há calote", comenta outra fonte do setor.

Atualmente, a Terna Participações tem forte presença no Norte e Nordeste do Brasil. Tanto que controla 2,34 mil quilômetros de linhas de transmissão no país. No mundo, a empresa tem 35,129 mil quilômetros de linhas sob sua administração.