Título: Cade aprova a aquisição da Conpacel pela Suzano
Autor: Resende, Thiago
Fonte: Valor Econômico, 02/08/2012, Empresas, p. B7
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou ontem o negócio no qual a Suzano comprou os 50% que ainda não detinha do Consórcio Paulista de Papel e Celulose (Conpacel). Essa parcela pertencia à Fibria, do grupo Votorantim. A operação inclui ainda a aquisição da distribuidora de papel multimarca KSR, que também era controlada pela Fibria. Pelas compras, a Suzano Papel e Celulose desembolsou cerca de R$ 1,5 bilhão. Isso é parte da estratégia da Fibria de se desfazer dos ativos na área de papel, enquanto a Suzano reforça sua atuação no setor.
O órgão deu sinal verde ao negócio sem restrições e por unanimidade. Com a operação, anunciada em dezembro de 2010, a Suzano passou a deter todo o controle da Conpacel - consórcio produtor de papel de imprimir e escrever e que reuniu os ativos da antiga Ripasa. A companhia era uma sociedade entre a própria Suzano e a Fibria, empresa resultante da fusão entre Votorantim Celulose e Papel (VCP) e Aracruz.
A Conpacel foi criada em 2004 em uma sociedade entre a Suzano e a Votorantim, sendo que cada uma ficou com a metade das ações da empresa. A parcela da Votorantim depois passou a pertencer à Fibria, o que manteve parte do controle do consórcio nas mãos do grupo. Cerca de três anos depois, o Cade analisou o caso e chegou a pedir a desconstituição do negócio. No entanto, a decisão final do órgão antitruste foi favorável à operação desde que as empresas envolvidas assinassem um Termo de Compromisso de Desempenho (TCD).
Esse acordo firmado entre as companhias e o Cade determinava que a Suzano e a Votorantim não poderiam trocar informações. "O TCD estabelecia regras de comportamento, pois o principal objetivo era bloquear o acesso a dados da outra empresa da sociedade", explicou o relator do processo, conselheiro Elvino Mendonça.
O compromisso assinado terminaria neste ano, mas poderia ser prorrogado por mais cinco anos. Isso, entretanto, não deve ocorrer porque, segundo Mendonça, "haverá perda de objeto", ou seja, a Conpacel não é mais dividida entre os dois grupos de empresas.
Como a Suzano e a Fibria atuam no mesmo setor, havia o risco de elas usarem as informações que ambas possuíam para "coordenar" ações e aumentar o poder no mercado. "A Conpacel é uma empresa pequena e que era gerida por um administrador independente para evitar esse tipo de prática. Mesmo assim, havia esse risco à concorrência", disse o relator do caso.
Os conselheiros argumentaram que agora o mercado de papel e celulose é bem mais competitivo do que na época em que o consórcio foi criado. Em discussão no plenário do Cade, eles destacaram que surgiram outros novos "players" nesse mercado.
Mendonça explicou que, de 2004 para cá, a gigante International Paper e companhias chinesas passaram a atuar no segmento de celulose no Brasil. O negócio aprovado ontem, portanto, não é danoso à competição e "é bom do ponto de vista concorrencial por diminuir as chances de troca de informações entre os dois grupos do setor", o que seria mais fácil com a sociedade na Conpacel, informou.