Título: Petrobras quer controlar seus custos
Autor: Schüffner , Cláudia
Fonte: Valor Econômico, 02/08/2012, Empresas, p. B8

A reprogramação da Petrobras que a nova presidente, Graça Foster, está fazendo não para. Ontem a executiva anunciou o Programa de Otimização de Custos Operacionais (Procop), que será lançado em setembro. Com o programa, a companhia quer identificar custos operacionais permanentes, que tenham impacto relevante e que possam ser otimizados. Um deles é o da energia elétrica. O objetivo do programa não é cortar custos. Segundo Graça, atualmente os gastos gerenciais respondem por 30% do desembolso anual da Petrobras.

"Os gastos gerenciáveis foram de US$ 32 bilhões em 2011, equivalentes a geração operacional [Ebitda], que foi de US$ 33 bilhões e 33% superiores à captação realizada no período", disse a executiva, referindo-se às captações de US$ 23,9 bilhões realizadas em 2011.

Ao apresentar o Plano de Negócios 2012-2016 para executivos financeiros, Graça Foster voltou a mencionar as metas mais realistas de produção (que resultam em uma produção em 2020 com um volume de 700 mil barris/dia abaixo da meta anterior), e a busca por uma maior disciplina de capital. Sobre as novas refinarias, citou de novo a Rnest, em Pernambuco, orçada em US$ 20,1 bilhões, entre as lições aprendidas pela companhia.

Estatal brasileira espera garantias financeiras da PDVSA para discutir os custos da Rnest, em Pernambuco

Sobre os preços praticados pela estatal, Graça disse que paridade (que a companhia não está adotando por imposição do acionista controlador, o governo) é um dos pilares do plano de negócios. "O fato é que quem vende quer mercado. E nós temos de investir muito em nossas refinarias", justificou.

Ao mencionar a necessidade das novas unidades, citou a Rnest (PE) e o Comperj (RJ) como importantes para reduzir a dependência do país à importação de derivados para atender ao crescimento do mercado brasileiro.

As projeções da Petrobras indicam que se não forem construídas as refinarias do Maranhão e Ceará, o país terá de importar 35% dos derivados que consome em 2020. "Há de fato uma exposição à volatilidade dos preços internacionais". Isso acontecerá, segundo Graça, se a Petrobras não puder construir as novas refinarias "com todas as métricas internacionais adequadas de preço e de prazo e de tecnologia padronizadas".

Segundo dados apresentados ontem, o Brasil hoje importa 15% dos derivados que consume. No primeiro semestre foram consumidos o equivalente a 870 mil barris/dia de óleo diesel, dos quais 181 mil barris/dia tiveram que ser importados. Na gasolina, o consumo foi de 510 mil barris/dia, que resultaram em importações de 66,3 mil barris/dia.

Depois de dois dias em Brasília, Graça explicou que o presidente da PDVSA, Rafael Ramírez, foi com quem mais conversou.

A PDVSA é sócia da Rnest com 40% mas ainda não colocou dinheiro. Graça Foster frisou que a Petrobras espera que a PDVSA apresente as garantias financeiras exigidas pelo BNDES para que ela tenha direito ao empréstimo do banco e só depois vai negociar com os venezuelanos, inclusive custos financeiros incorridos.

O dinheiro emprestado pelo BNDES para a obra já acabou e a Petrobras está arcando sozinha com os custos dela e do parceiro. "A Petrobras não quis avançar em discussão de valores e como seria a entrada deles porque não está fechada ainda as garantias e as contra-garantias com os bancos. Achamos que seria colocar a carroça na frente dos bois", disse..

A executiva frisou, em seguida, que enquanto houver "um potencial de [a Rnest] ser um bom negócio", a Petrobras continuará discutindo com a PDVSA.

Sobre as medidas anunciadas pelo governo da Argentina, que aumentam o controle sobre investimentos e até margens de lucro das empresas que operam no país, Graça disse que a Petrobras ainda não teve tempo de "assimilar" a nova legislação, que foi editada nos últimos dias. "A grande vantagem é que agora está escrito", disse. A estatal prevê investir US$ 1,6 bilhão naquele país até 2016.

Graça disse esperar que seja nomeado um novo diretor da area internacional na sexta-feira, na reunião do conselho de administração. Ao elogiar o ocupante interino do cargo, José Carlos Amigo como "um profissional extremamente dedicado", a executiva garantiu que não conhece indicações do PMDB para o cargo. "A discussão toda dos partidos, da política, eu desconheço completamente".