Título: Reeleito no Mato Grosso, Maggi vai desembarcar do PPS
Autor: Zanatta, Mauro
Fonte: Valor Econômico, 03/10/2006, Política, p. A12

Terceiro candidato a governador mais bem votado do país no primeiro turno, com 65,4% dos votos válidos, Blairo Maggi prepara seu desembarque do PPS já nos próximos dias. Reconduzido ao cargo no Mato Grosso, Maggi iniciou sondagens para a formação de um novo partido que surgiria da fusão de legendas que não obtiveram votos suficientes para ultrapassar a chamada "cláusula de barreira" - a obrigatoriedade de ter 5% dos votos nacionais válidos em nove estados do país.

O movimento para uma eventual nova sigla pode ser engrossado por grupos insatisfeitos com o pequeno espaço político em partidos como PSDB, PT e PMDB. Embalado pelos 922,8 mil votos, Maggi não descarta negociações mais simples e diretas, como a filiação ao próprio PMDB. "Tudo vai depender do espaço que o governador tiver", informa seu coordenador de campanha e braço direito Luiz Antonio Pagot. "Podemos ter um novo partido ou simplesmente entrar numa legenda tradicional".

Pagot foi eleito suplente de senador na chapa do pefelista Jaime Campos, que obteve 61,16% do votos. Nos bastidores, diz-se que Pagot, principal articulador político de Maggi, herdará quatro anos no Senado em razão de um acordo com Jaime Campos, que seria apoiado pelo governador ao governo do estado em 2010. "Vamos subir os degraus um de cada vez", acautela-se Campos.

As conversas preliminares passam pela formação da base parlamentar do governador reeleito. A ampla coligação, que incluiu 13 partidos, conseguiu emplacar 18 aliados teoricamente "fiéis" para as 24 vagas da Assembléia Legislativa. E tem outros dois deputados considerados "independentes" sob sua influência - Percival Muniz (PPS) e Otaviano Pivetta (PDT). No total, foram eleitos cinco estaduais do PPS e do PFL; quatro do PP e do PMDB; um do PDT e outro do PTB; além de dois oposicionistas do PSDB e dois do PT.

Com essa configuração, a Assembléia de Mato Grosso tende a ser governista. Mas aliados de Maggi temem que uma precipitação das conversas para as eleições municipais em 2008 comprometa a "governabilidade" no segundo mandato. "Estão todos dentro da nossa base. Não vejo muitos problemas", amenizou Maggi. Mas reconhece que não representa mais uma opção de poder a longo prazo, já que não poderá ser mais uma vez reeleito em 2010. "Mas isso tudo é teoria. Vamos ver na prática", afirmou.

Na bancada federal de Mato Grosso, Maggi também terá ampla maioria. Das oito vagas, a coligação de Maggi conseguiu eleger seis - Pedro Henry e Eliene Lima (PP), Wellington Fagundes (PL), Carlos Bezerra (PMDB), Homero Pereira (PPS), Valtenir Pereira (PSB). Da oposição a ele, foram eleitos o petista Carlos Abicalil e a tucana Thelma de Oliveira. O movimento de Maggi será seguido pelos aliados no plano federal também. Assim, a opção do governador deve ajudar a modificar a conformação do Congresso eleito no domingo.