Título: Furlan quer comércio de veículos sem imposto
Autor: Souza, Marcos de Moura e
Fonte: Valor Econômico, 05/10/2006, Brasil, p. A4

Em sua visita a Brasília amanhã, o presidente eleito do México, Felipe Calderón, vai se reunir com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan. O objetivo do ministro é convencer Calderón a aceitar a proposta brasileira de ampliar o acordo de redução de tarifas de importação entre os dois países. Furlan também quer vencer as resistências do México ao livre comércio de veículos com o Brasil.

"Furlan vai propor a retomada da negociação", diz uma fonte próxima ao ministro. Segundo os técnicos do ministério do Desenvolvimento, os mexicanos foram muito duros nas últimas rodadas de negociações, argumentando que não possuem mandato para avançar até que Calderón assuma o posto no próximo ano.

Furlan considera fundamental aumentar o comércio com o México, um dos maiores clientes de manufaturados do Brasil. De janeiro a setembro, os produtos industrializados responderam por 96,5% das vendas ao México.

Desde a assinatura dos acordos, principalmente no setor automotivo, o Brasil está ampliando sua participação no mercado mexicano. Em 2003, o país respondia por 1,9% das importações totais do México. Esse percentual subiu para 2,2% em 2004 e atingiu 2,4% no ano passado. A performance do México no mercado brasileiro não é tão positiva. Em 2003, o Brasil recebia 0,3% das exportações do México. Esse percentual subiu para 0,5% em 2004, mas voltou para 0,4% em 2005.

Furlan vai argumentar com Calderón que os acordos começam a render lucros também para o México. De janeiro a setembro, as importações brasileiras de produtos mexicanos aumentaram 53,5%, enquanto as exportações para o país subiram 11,4%. As montadoras aproveitam o dólar para trazer automóveis sofisticados do México para o país. As importações de carros mexicanos cresceram de inexpressivos US$ 18,4 milhões, de janeiro a setembro de 2005, para US$ 204,3 milhões em igual período desse ano. (RL)