Título: Novos serviços reduzem custo da operação
Autor: Cezar, Genilson
Fonte: Valor Econômico, 27/02/2007, Especial, p. F5
Prover para as micro e pequenas empresas os mais diversos serviços eletrônicos, como comunicação em alta velocidade, pagamento via celular, aquisição de benefícios de cartões alimentação, refeição e cesta básica, por meio da internet, por exemplo, a custo baixo, começa a se tornar, também, um negócio rentável, especialmente quando se trata de um segmento ainda muito carente de soluções avançadas de tecnologia. "O mercado das pequenas e médias empresas está mais atrasado em relação às empresas de grande porte e representa uma boa oportunidade para os provedores expandirem sua presença com a oferta de serviços e soluções integradas de TI", avalia Emerson Gibin, analista sênior da empresa de consultoria IDC Brasil.
Um dos novos serviços é o portal Bopx2home (www.box2home.com.br), lançado pela integradora 2S, que oferece uma série de produtos de telefonia IP, VoIP (Voz sobre IP) e wireless com preços reduzidos e pagamento parcelado em até dez vezes. O serviço transforma o PABX em VoIP e barateia o custo de telefonia da empresa. O custo de instalação do serviço fica em R$ 300 e R$ 600, e o cliente paga 30 horas por mês para a operadora de VoIP. "Como o portal possui uma estrutura centralizada, e uma equipe especializada bastante enxuta, conseguimos levar soluções de VoIP a várias regiões do país a um custo reduzido, com pagamento facilitado e serviços de suporte técnico remoto", diz Renato Carneiro, sócio-diretor da 2S.
A empresa atua em parceria com 20 provedores de telecomunicações, entre os quais a Terra VoIP e a Nono, do grupo GVT. Para os clientes do Portal Terra VoIP, o Box2home mantém uma parceria exclusiva com os produtos Linksys e comercializa adaptadores telefônicos para webfone e roteadores que possibilitam o uso do sistema de voz sobre IP em um telefone convencional, sem precisar que o computador esteja ligado. Em 2006, informa Carneiro, a 2S vendeu o serviço para 1,3 mil clientes, com ticket médio de R$ 1,5 mil para implementar e dá suporte técnico de primeiro nível. A expectativa da 2S é de um aumento de 70% no faturamento alcançado no ano passado (em torno de R$ 23,5 milhões). "Os serviços para as pequenas empresas devem crescer 30% este ano", diz Carneiro.
O Banco ABN Amro Real apostou no desenvolvimento da tecnologia de pagamento por celular. Há dois projetos em fase experimental, informa Maria Regina Botter, superintendente de produtos: um para taxistas e outro para pequenos estabelecimentos comerciais. O conceito do pagamento com celular é o de transferência de valores entre as contas do cliente e do lojista, sem necessidade de utilizar o cartão.
A tecnologia foi desenvolvida pelo Banco Real por meio de um software da empresa americana M-Pay (Mobile Payment), que transmite os dados para o banco, solicitando o pagamento. O primeiro piloto começou a funcionar em novembro, com 12 táxis conveniados que operam na rua Itapeva, na região da Avenida Paulista, em São Paulo, em parceria com a VisaNet. O passageiro recebe um código de autorização, que, digitado no aparelho de um terminal eletrônico sem fio do taxista, junto com a senha do serviço, autoriza o pagamento. Terminada a transação, o cliente recebe uma mensagem de texto informando o valor da compra, o nome da empresa de táxi, a data e a hora. "Tudo isso é realizado com segurança, rapidez e comodidade para o cliente e para o taxista. É um sistema inovador que elimina o risco de transitar com dinheiro", diz Maria Regina.
A outra solução de pagamento via celular está sendo testada, desde janeiro, em lanchonetes, empresas que trabalham com copiadoras e restaurantes nas imediações da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), no bairro de Perdizes, em São Paulo, e que são clientes do Banco Real. A idéia também é viabilizar o pagamento de despesas sem a utilização de dinheiro. Nove estabelecimentos participam atualmente do projeto-piloto, que se propõe a oferecer ao pequeno lojista e estabelecimentos comerciais de pequeno porte um meio alternativo à utilização dos chamados POS (terminais de pontos-de-venda), mais caros e muitas vezes inacessíveis.
Funciona em parceria com a operadora TIM. "Estamos avaliando a aceitação dos dois serviços e, até junho, devemos definir nossa estratégia para oferecer os sistemas em maior escala", diz Maria Regina. "O objetivo é fazer com que o cliente não se preocupe em andar com dinheiro, cartões ou cheques. Pretendemos atingir micro empresas, sem grandes infra-estruturas de TI e chegar em áreas que ainda não trabalham com cartões eletrônicos, como lanchonetes, feiras livres etc.", afirma.
Para reforçar sua atuação junto às micros e pequenas empresas, a Visa Vale, empresa de vales alimentação e refeição que opera por meio de cartões eletrônicos, passou a oferecer pela internet um serviço especialmente destinado a facilitar a aquisição de seus produtos. Desde janeiro, as pequenas empresas com até 50 funcionários poderão efetuar a adesão por meio de um canal exclusivo de auto-atendimento, via web, chamado VisaVale Direto. Tudo é feito em tempo real, inclusive a assinatura eletrônica do contrato. "Uma parte considerável dos nossos clientes é constituída de micros e pequenas empresas e faz parte de nossa filosofia proporcionar-lhes o máximo de facilidades para a aquisição e as operações com os nossos cartões", diz Sérgio Souza, diretor de TI da Visa Vale.
A meta da empresa é superar o percentual de 40% de market-share na área de vale-benefício para micros e pequenas empresas, um segmento constituído hoje por mais de 4,6 milhões de negócios em todo o país.