Título: Cai número de fusões e aquisições
Autor: Durão , Vera Saavedra
Fonte: Valor Econômico, 16/08/2012, Empresas, p. B6

O movimento de fusões e aquisições na indústria global de metais, com destaque para o setor siderúrgico, registrou forte desaceleração no segundo trimestre. Números divulgados ontem, em relatório da PricewaterhouseCoopers (PwC), informam uma queda de 51% no volume dessas transações ante o mesmo período de 2011 e um declínio de 55% em valor - US$ 8,9 bilhões na comparação com US$ 19,9 bilhões - em relação ao primeiro trimestre. A consultoria atribui esta baixa performance a ausência de megaoperações superiores a US$ 1 bilhão no período dado o ambiente de incertezas reinante na economia mundial.

Entre abril e junho de 2012 foi acertado apenas um grande negócio nessa área, ante seis mega operações no primeiro trimestre. A transação se deu entre a siderúrgica chinesa Chongqing Iron & Steel Co. e a Chonqing Iron & Steel Group para venda de uma usina nova de aço situada em Changshou, por US$ 2,8 bilhões. Esse valor representa um terço do total de US$ 8,9 bilhões das operações negociadas no período.

O aquisição foi entre empresas do mesmo grupo, um modelo de negócio que se destacou no segundo trimestre, principalmente na China, onde há um movimento de reestruturação e consolidação do setor siderúrgico incentivado pelo Estado.

O acumulado de fusões e aquisições no primeiro semestre do ano somou 53 operações (33 no primeiro trimestre e 20 no segundo) no valor de US$ 28,8 bilhões, inferior a performance do segundo tri de 2011, quando foram acertadas 69 transações, correspondentes a US$ 32,8 bilhões. O setor siderúrgico se manteve na liderança dessas operações.

Os países emergentes continuam sendo os que mais movimentam este mercado. Segundo o levantamento da PwC, nos primeiros seis meses do ano foram realizadas 35 operações no valor de US$ 18,5 bilhões na Ásia e na Oceania, das quais 17 na China. A India respondeu por quatro negociações locais e uma no exterior. A Europa realizou três negócios, mas nenhum na Europa Ocidental por conta da crise dos países da Zona do Euro. Na América do Norte foram seis transações e zero na América do Sul.

Na análise dos líderes da PwC Jim Forbes, de Global Metals, e Sean Hoover, da US Metals, o valor de fusões e aquisições recuou no segundo trimestre por causa da continuada tendência de queda dos preços dos metais, que começou no ano passado. Esta é uma preocupação dos investidores, pois a expectativa é desses preços continuarem em queda em 2012. Os países emergentes também estão sendo contaminados pela crise. O PIB chinês cresceu 7,6% no segundo trimestre e por isso muitos investidores estão adiando negócios.

Para Forbes e Hoover se no segundo semestre as fusões e aquisições se mantiverem nesta velocidade, elas poderão diminuir em até 20% ante 2011, quando ocorreram 128 operações no valor de quase US$ 60 bilhões.