Título: Líderes sinalizam acordo para encerrar CPI no prazo
Autor: Junqueira , Caio
Fonte: Valor Econômico, 15/08/2012, Política, p. A7

PT, PMDB e PSDB deram ontem todos os sinais de que caminham para um acordo no qual a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira termine dentro do prazo previsto, em 4 de novembro, e restrita a apurar eventuais irregularidades da relação do empresário Carlos Augusto Ramos com a construtora Delta apenas na região Centro-Oeste.

A despeito do agendamento das datas de depoimento do ex-diretor-geral do Dnit Luiz Antonio Pagot e do empresário Adir Assad, no dia 28 de agosto; e do ex-diretor da estatal paulista Dersa, Paulo Vieira de Souza, e do ex-proprietário da Delta, Fernando Cavendish, para o dia 29 de agosto, cujas convocações já haviam sido aprovados no início de julho - toda a sessão foi tomada por decisões políticas que, por exemplo, amenizam algumas situações.

Isso ocorreu, por exemplo, ao se transformar os requerimentos de convocação dos deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB-SP) e Sandes Júnior (PP-GO) em um convite ao tucano e um pedido de informações ao pepista.

Leréia é acusado de ter recebido dinheiro de Cachoeira e ser sócio dele em um terreno. Sandes Júnior aparece em gravações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal em que pediu dinheiro a Cachoeira.

O que fundamentou essa decisão foi uma interpretação "diferenciada" dos parlamentares da comissão. Ela foi explicitada pelo deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), que relatou o processo contra Sandes Júnior na corregedoria da Câmara. "A única coisa que apuramos foram dois telefonemas dele para Cachoeira, um pedindo o patrocínio para time de futebol do filho e R$ 7 mil para uma pesquisa eleitoral, que não se configuraram. Não me parece justo e correto [a convocação]", disse.

A maioria o acompanhou, inclusive o PSDB. Na visão dos tucanos, se Sandes não seria mais convocado, Leréia, em nome do princípio da isonomia, também não deveria ser. E assim foi feito.

Em outro momento, o relator, Odair Cunha (PT-MG), lia todos os requerimentos que seriam aprovados simbolicamente na comissão. Um deles, o de número 813, pedia a remessa à CPI de todos os contratos efetuados pelo governo do Mato Grosso com a construtora Delta. O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), então, lembrou que poderia ser feito um aditamento para incluir todos os outros Estados do país. "Não me parece correto que se concentre em cima de um Estado", disse.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), acrescentou que sua assessoria técnica levantou repasse milionários da Delta a empresas laranjas situadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, governados respectivamente pelo PSDB e pelo PMDB. "Para São Paulo foram R$ 149 milhões, para o Rio R$ 56 milhões e para o Centro-Oeste R$ 97 milhões, isso em um levantamento preliminar", disse o senador. Cunha, porém, negou o aditamento. Sugeriu que ambos fizessem um requerimento de aditamento que seria apreciado em uma próxima sessão administrativa - ainda sem data para ocorrer. "Aditamento agora não é possivel. Temos um foco", afirmou.

Também houve nova negativa, por 16 votos a 4, da criação de sub-relatorias, conforme proposto pelo deputado Rubens Bueno (PPS-PR). Apenas ele e três tucanos votaram nesse sentido. Nem mesmo parlamentares que anteriormente haviam apoiado a ideia, tiveram a mesma posição ontem. Caso de Randolfe e Miro Teixeira. A justificativa foi a extemporaneidade do pedido. Na prática, á decisão mantém a condução dos trabalhos centralizada nas mãos do relator.

Por fim, a pouco mais de dois meses do final da CPI, o clima de fim de festa já tomou conta da maioria dos parlamentares, que começam a conversar sobre a necessidade de que ela termine dentro do prazo previsto, sem prorrogações. Para os governistas, esse cenário é bom porque impede uma investigação maior sobre a Delta e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no qual ela é maior contratada, e também no Rio, governado por Sérgio Cabral, amigo de Cavendish. Para a oposição, a avaliação é de que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), já sangrou o que devia e avançar sobre o governo federal é muito difícil, sendo, então, melhor impedir que outros alvos seus sejam escolhidos.