Título: Queda do risco anima BC argentino
Autor: Moreira, Assis
Fonte: Valor Econômico, 09/01/2007, Finanças, p. C1
O presidente do Banco Central da Argentina, Martin Redrado, não esconde o contentamento ao prever que o risco-país da Argentina convergirá no curto prazo para o risco-país do Brasil.
Com isso, ele espera que "em 2007, a Argentina volta a estar no radar dos mercados financeiros". Empresas argentinas planejam retornar ao mercado externo para captação de financiamentos a custos mais baixos.
Redrado descarta competição entre empresas dos dois países em busca de dinheiro barato, porque "há muita liquidez" no mercado. O certo é que o Brasil é a base de comparação, e a aproximação dos riscos é motivo de satisfação em Buenos Aires.
O risco dos países emergentes é calculado em função das transações envolvendo seus bônus e também a oscilação dos juros americanos, de forma que esse risco é um "spread" acima da taxa praticada nos EUA.
O spread argentino chegou a explodir para 7.174 pontos-base em 2002, quando o país deixou de pagar sua divida externa em meio a uma grave crise social e desvalorização de 75% do peso face ao dólar americano.
Quatro anos depois, a situação mudou. O risco-país, que oscilava em 500 pontos-base ao final de 2005, fechou em 215 pontos básicos em 2006.
Redrado nota que a diferença com o spread brasileiro era mais de 200 pontos-base no começo de 2006 e agora oscila entre 15 a 20 pontos. Agora, na expectativa de voltar aos mercados, ele diz que o governo não precisa captar, porque tem superávit nas contas correntes "como o Brasil". Mas empresas exportadoras, sobretudo, buscarão financiamento externo com juros mais baixos do que os praticados dentro da Argentina, a exemplo do que fazem companhias brasileiras.
O Banco Macro, o quarto maior da Argentina, emitiu um título de 30 anos no final do ano passado. Captou US$ 150 milhões, para atender a crescente demanda por crédito numa economia com expansão superior a 8%. Agora, tem planos de lançar bônus de dez anos no montante de US$ 250 milhões.
"Há apetite pelos papéis argentinos", diz o presidente do BC, Martin Redrado. Outras companhias argentinas vão seguir o caminho do Macro e vender títulos de divida em meio a crescente demanda por papeis do país depois que o governo reestruturou US$ 82 bilhões da divida externa em 2005.
O apetite por risco globalmente continua alto, e a Argentina oferece meios de compensar isso. Em 2006, de acordo com o índice EMBI do JP Morgan, os bônus da Argentina deram o maior retorno, com ganhos de 51%, seguido das Filipinas com ganho de 16% e do Brasil com 15%. Analistas consideram difícil que o cenário se repita este ano.