Título: FIDCs despertam interesse de investidores europeus
Autor: Bautzer, Tatiana
Fonte: Valor Econômico, 16/10/2006, Finanças, p. C3
A securitizadora brasileira Boa Esperança Recebíveis fechou acordo com a portuguesa Orey para distribuição de ativos de crédito brasileiros na Europa. O alto rendimento do crédito brasileiro e a estabilidade do país nos últimos anos estão animando investidores institucionais. O diretor da Boa Esperança, Eduardo Lisbôa Rocha, espera captar numa fase inicial cerca de R$ 200 milhões de investidores estrangeiros. A Boa Esperança participou recentemente da operação do J.P. Morgan, que repassou a investidores externos nos EUA Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) de crédito consignado e de veículos.
A Orey, originalmente do ramo de navegação, tem uma divisão financeira que administra 120 milhões de eurosem fundos de investimento e recursos de private banking em Portugal. A empresa comprou no Brasil a MCA Economy, consultoria para 'private', com portfólio de R$ 200 milhões.
Rocha admite que o mercado português tem um volume pequeno disponível para investimentos em ativos no exterior. Mas há grandes fundos de pensão da zona euro (alemães, holandeses etc) que atuam no país e estão interessados em colocar ativos de crédito brasileiros em seus portfólios.
"A maior demanda hoje é por recebíveis de empresas de pequeno e médio porte, fornecedoras de grandes companhias", afirma Rocha. As vendas para multinacionais reduzem o risco atribuído ao investimento.
"O mercado de recebíveis no Brasil começou com a emissão no exterior de fluxos de pagamento de exportações e depois concentrou-se em carteiras de crédito pessoal", afirma um relatório sobre o mercado de securitização no Brasil divulgado pela agência de risco Standard & Poor's. Segundo o analista Pedro Gazoni, a próxima onda envolverá justamente duplicatas comerciais de fornecedores de grandes companhias. Como as empresas de médias não conseguem arcar sozinhas com o custo de criação dos fundos, os novos FIDCs devem reunir recebíveis de grupos de empresas. Será possível captar até com base em contratos de fornecimento, antes da entrega da mercadoria, desde que haja um seguro de performance.