Título: Pesquisa do PT mostra migração de votos
Autor: Lyra, Paulo de Tarso
Fonte: Valor Econômico, 19/10/2006, Política, p. A8

Apesar de ter surpreendido alguns aliados pela velocidade com que ocorreu, o crescimento das intenções de voto em Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, abrindo 20 pontos percentuais sobre Geraldo Alckmin, de acordo com a pesquisa Datafolha, foi recebido com euforia pelo comando da campanha petista, que passou a contar agora com uma votação "consagradora", semelhante à primeira eleição, de 2002, para o presidente Lula. Pesquisas internas encomendadas pelo comitê de campanha já vinham percebendo migração dos votos de Alckmin para Lula, e votos de Heloísa Helena e Cristovam Buarque, em sua maior parte, para Lula, além da definição de alguns indecisos. "O segundo turno permite que o discurso político e administrativo torne-se mais vigoroso. Além disso, a relação de alianças do segundo turno foi mais favorável para a candidatura Lula", declarou o coordenador do setor de pesquisa do PT, Joaquim Soriano.

Soriano não chega a apostar em transferência de votos dos candidatos regionais, mas lembra que, mesmo onde Lula venceu no primeiro turno, como é o caso do Rio, Maranhão e Pernambuco, a associação com candidatos como Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Eduardo Campos (PSB-PE) e Roseana Sarney (PFL-MA) tem sido positiva para o presidente. Outro movimento que pode ter ajudado Lula, na visão de Soriano, foi o apoio do governador reeleito de Mato Grosso, Blairo Maggi. "Ele é uma liderança representativa de um setor importante e sensível da economia".

Outro fator que justificaria, na visão de petistas, a ampliação da vantagem de Lula - ao término do primeiro turno a diferença entre os dois era aproximadamente sete pontos percentuais - foi a ampliação do debate político, programático, em detrimento do escândalo do dossiê. "Ao passarmos para o segundo turno, o candidato Alckmin demonstrou uma fragilidade enorme", prossegue Soriano.

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) classificou a campanha tucana de "vazio de idéias". E essa diferença, segundo ele, ficou mais explicitada nesse segundo turno, com a agudização do debate. "Nós, simplesmente, começamos a estabelecer as comparações entre o nosso governo e o anterior". Chinaglia reconhece que o dossiê contra os tucanos, pela proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais, "deixou a todos atordoados, inclusive a nós, impedindo a vitória em primeiro de outubro", completou o líder governista.

O governador do Acre, Jorge Viana, acha que a diminuição das disputas locais - apenas dez Estados terão segundo turno para governador - acaba por privilegiar o debate nacional e a apresentação de projetos para o país.

O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, lembra que os atuais números das pesquisas eleitorais remetem aos resultados levantados nos quinze dias que antecederam as eleições, antes do "malfadado episódio do dossiê, fruto de uma disputa paroquial paulista que acabou por embaralhar as cartas".

Pimentel não prevê dias melhores para oposição. "Para eles, é melhor que essa eleição acabe logo, pois vão sair dela menor do que entraram", prevê o petista mineiro.