Título: Fator amplia atuação na área hospitalar
Autor: Santos, Chico
Fonte: Valor Econômico, 24/10/2006, Empresas, p. B2
O grupo imobiliário Fator, que nasceu há 50 anos no Recife (PE) e tem sede desde 1970 no Rio de Janeiro, criou um braço hospitalar, a Rede Alfa, e está construindo sua terceira unidade, a primeira na capital fluminense, o Hospital das Américas.
A iniciativa tem em vista o objetivo do Fator de se tornar a maior rede hospitalar do país voltada para o atendimento de associados de planos de saúde. Os investimentos já feitos e em andamento somam R$ 380 milhões. Segundo o empresário Vasco Rodrigues, o grupo pretende construir de 15 a 20 hospitais de alta tecnologia no país, com a filosofia de cobrar dos planos de saúde preços justos para tê-los como parceiros e não concorrentes.
"Os planos constroem hospitais para ter custos menores. O certo seria cada macaco no seu galho [os planos gerindo suas redes de associados, sem necessidade de ser operadores hospitalares]. O importante para a vida do hospital é ter uma parceria forte com os planos de saúde. Sentar do mesmo lado da mesa. Não dá para cobrar contas que os planos não podem pagar", diz Rodrigues. Ontem, o Valor noticiou que o grupo Medial está investindo na construção de hospitais, com recursos captados no mercado acionário, justamente para reduzir custos hospitalares.
Rodrigues avalia que, se a idéia da parceria prevalecer, trará impulso positivo para as duas partes. No caso do Hospital das Américas, um investimento de R$ 180 milhões, o grupo optou por uma parceria com os tradicionais grupos do mercado de planos de saúde Amil e Dix, após ter construído sozinho um hospital no Recife e outro em Salvador. Segundo o empresário, a parceria para o empreendimento carioca nasceu da percepção de que havia interesses comuns entre as três partes.
Embora nascido no ramo imobiliário, o Fator, que, segundo Rodrigues, não tem qualquer relação com o grupo financeiro de mesmo nome, já tem um histórico de quase 30 anos em operação hospitalar. Em 1977, o atual presidente do conselho de administração da empresa familiar, Fernando Rodrigues (pai do atual presidente-executivo), inaugurou no Recife o hospital João XXIII, com 70 leitos.
Em meados dos anos 1990 o hospital pernambucano foi vendido e o grupo decidiu que era o momento de partir para empreendimentos mais ambiciosos na mesma área. Foi contratada a consultoria do grupo americano Quorum - segundo Rodrigues, o maior do mundo em gestão hospitalar - e depois de muito amadurecimento o grupo fundou a Rede Alfa para construir uma rede de hospitais integrados. A idéia era juntar em uma mesma unidade o conjunto de modernas tecnologias existente hoje em atendimento médico, laboratorial e hospitalar.
Foram investidos inicialmente R$ 200 milhões para construir um hospital de 214 leitos no Recife (Boa Viagem), inaugurado no ano passado, e outro de 260 leitos em Salvador, inaugurado em março deste ano. O novo empreendimento do Rio de Janeiro surgiu da constatação de que a área nobre da Barra da Tijuca (zona oeste) e seu entorno dispunha de uma rede de apenas 656 leitos de hospitais para o público atendido por planos de saúde quando a demanda, considerando uma população da área de aproximadamente um milhão de pessoas, seria de 1.658 leitos, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Como os dois anteriores, o hospital do Rio integrará no mesmo lugar maternidade, centro de diagnóstico, laboratórios de análises, emergência, centro cirúrgico e consultórios médicos. A tecnologia dispensa o uso da maca para a transferência do paciente do quarto para o centro cirúrgico. Com um capital de R$ 200 milhões, segundo Rodrigues, o grupo Fator já estuda localizações para outras unidades. O empresário afirma que Brasília é um dos focos, mas ressalva que, no momento, não há nada definido.