Título: Queda da Selic engorda "spread"
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 25/10/2006, Finanças, p. C1
Os bancos repassaram aos clientes apenas algo como metade da queda nos seus custos de captação que, graças à perspectiva de queda da taxa Selic, obtiveram em setembro. O custo médio de captação dos bancos caiu 0,7 ponto percentual, para 13,7% ao ano, enquanto os juros médios cobrados de pessoas físicas e jurídicas foi reduzido em só 0,4 ponto percentual, para 41,5% ao ano.
Esses números também podem ser lidos por outro ângulo - como os bancos não repassaram integralmente para os clientes os ganhos com o afrouxamento da política monetária, acabaram engordando suas margens em setembro. O "spread" bancário subiu de 27,5 para 27,8 pontos percentuais.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, aposta em redução do "spread" nos próximos meses: "Provavelmente ainda não houve tempo para que a queda no custo de captação fosse repassada aos juros bancários, mas a tendência é que seja repassada."
Lopes lembra que levou algum tempo para que o afrouxamento na política monetária, iniciado em setembro de 2005, fosse repassado aos juros bancários - mas isso acabou ocorrendo.
De setembro de 2005 a setembro de 2006 os custos de captação recuaram 5 pontos percentuais., enquanto que os juros médios cobrados dos clientes caíram 8,3 pontos. Ou seja, os bancos não apenas repassaram aos clientes a queda nos custos de captação como também reduziram o "spread", que passou de 29,4 para 27,8 pontos percentuais.
Em setembro, houve redução nos juros bancários médios tanto para pessoas jurídicas (27,9% para 27,3% ao ano) quanto para pessoas físicas (de 53,9% para 53,8%), que levaram os juros nominais para as famílias ao seu percentual mais baixo desde o início da série estatística do Banco Central, em julho de 1994.
As quedas mais fortes nos juros para as empresas foram na conta garantida (recuou de 66,9% para 65,6%) e de capital de giro (de 32,8% para 32,2%). Nos caso das pessoas físicas, as quedas foram mais discretas. O cheque especial recuou 0,1 ponto, para 143,5%; e no crédito pessoal, de 0,2 pontos, para 58,9%.
Os "spreads", de outro lado, subiram tanto no caso das linhas para as empresas (de 13,4 para 13,5 pontos percentuais) quanto para as pessoas físicas (39,6 para 40,1 pontos).
Outro destaque negativo nos dados do BC foi o aumento da inadimplência, pelo terceiro mês consecutivo, que em setembro passou de 5% para 5,1%. Em um ano, a inadimplência avançou um ponto percentual - em setembro de 2005, era 4,1%.
No caso das pessoas físicas, houve aumento expressivo na inadimplência no cheque especial (8,9% para 9,3%) e na linha para aquisição de outros bens que não veículos (11,9% para 12,1%). Lopes disse que o aumento da inadimplência é um evento esperado em um momento em que os bancos estão ampliando suas carteiras de crédito.
Os balanços dos bancos do primeiro semestre exibiram inadimplência em alta, que, na época, foi explicada pela agressiva abordagem de bancos privados no segmento de não-clientes. As instituições firmaram convênios com redes varejistas para financiar a aquisição de bens de consumo duráveis, e passaram a oferecer crédito na rua por meio de financeiras.