Título: Garcia prevê um acordo provisório na Bolívia
Autor: Schüffner, Cláudia
Fonte: Valor Econômico, 27/10/2006, Brasil, p. A3

As reuniões na Bolívia em torno dos novos contratos para exploração e produção de gás no país devem resultar em um acordo inicial e provisório, que possa ser assinado até amanhã, dia 28. Ontem, o que se comentava é que apenas uma companhia, a francesa Total, teria conseguido chegar a um acordo com a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB).

A perspectiva de estender as negociações foi enfatizada ontem por Marco Aurélio Garcia, presidente nacional do PT e coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Minha sensibilidade e esperança é que pudéssemos ter chegar um acordo genérico para se fixar prazo de algumas semanas para a assinatura de contratos", afirmou Garcia.

Dessa forma, as companhias ganhariam tempo para negociar as várias questões pendentes, ao mesmo tempo em que o governo boliviano poderá mostrar para o público interno que cumpriu o prazo estipulado no decreto de nacionalização. "O que se está buscando é um acordo para livrar a cara de todo mundo, e que evite que o presidente Evo Morales seja massacrado. Ao mesmo tempo, não teremos cedido nos pontos mais críticos", disse um executivo com acesso aos negociadores.

Entre os pontos ainda pendentes estão a natureza dos contratos (que são de risco compartilhado e a Bolívia quer transformar em prestação de serviços) e o plano de novos investimentos, entre outros. Apesar de acreditar no diálogo com os bolivianos, Garcia não descarta uma intervenção jurídica sobre o impasse.

"Queremos o acordo para renovar os contratos em um bom entendimento. Se esse entendimento não for possível, a Petrobras sai da Bolívia e seremos ressarcidos pela via da negociação ou da Justiça", disse.

A missão brasileira é liderada por Décio Oddone, gerente executivo para o Cone Sul, e por José de Freitas, presidente da Petrobras Bolívia. Segundo a Agência Boliviana de Informações, as reuniões estão sendo realizadas com a participação do ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas e o presidente da YPFB, Juan Carlos Ortiz.

Villegas e Ortiz estão se reunindo com representantes das companhias Petrobras Bolivia., Petrobras Energía, Total Exploration, Production Bolivie, ; Repsol Bolivia; Chaco (que tem a inglesa BP entre as sócias); Pluspetrol Bolivia Corporation, Vintage Petroleum Boliviana, BG Bolivia Corporation, Andina, e Matpetrol. (Com FolhaNews, de Brasília)