Título: Indianos fabricarão laptop barato em SP
Autor: Borges, André
Fonte: Valor Econômico, 22/01/2007, Empresas, p. B2
A empresa brasileira RF Telavo, fabricante de equipamentos de radiodifusão, foi escolhida pela indiana Encore Software para produzir no Brasil o computador portátil Mobilis, equipamento de baixo custo voltado para fins educacionais.
A informação, apurada pelo Valor, foi confirmada pelo diretor-presidente da Telavo, Jakson Alexandre Sosa. Desde a última semana dois engenheiros da Encore estão no Brasil para checar a viabilidade técnica e estrutural da companhia. "Vamos fabricar. Em cerca de dez dias uma equipe nossa irá até Bangalore, na Índia, para assinar o contrato", diz Sosa. "A produção deve ter início em abril."
A parceria prevê que a Telavo faça os investimentos na infra-estrutura para iniciar a produção do Mobilis. A operação, segundo Sosa, consumirá cerca de R$ 2 milhões numa fase inicial. A Encore entrará no jogo fornecendo sua propriedade intelectual. "Nosso investimento não será tão grande porque temos uma estrutura de fábrica montada, que já fazia placas-mãe para terceiros", diz.
A Telavo conta com duas unidades fabris no Estado de São Paulo, localizadas em Taboão da Serra e São José dos Campos. Na próxima quarta-feira, executivos da empresa têm encontro marcado com a equipe do Ministério da Educação e Cultura (MEC), para detalhar seu projeto, um pequeno computador portátil com tela sensível ao toque, que a Encore já distribui em cidades indianas, ao preço de US$ 160.
Na última semana, os portugueses da Cnotinfor, companhia especializada na produção de softwares educacionais, também se uniram à Encore para disputar o mercado de inclusão digital no Brasil. O anúncio foi feito durante um evento de negócios realizado na cidade de Bangalore, na Índia, e contou com a presença do presidente de Portugal, Cavaco Silva.
A idéia é que o equipamento rode uma família de sistemas desenvolvidos pela Cnotinfor, empresa sediada em Coimbra. Em entrevista ao Valor, o presidente da companhia, Pedro Pinto, informou que o anúncio oficial do projeto e das parcerias será feito em fevereiro, quando ele, acompanhado dos diretores da Encore, virá ao Brasil.
Na última semana, notícias devam conta de que a parceria luso-indiana injetaria US$ 300 milhões na fabricação brasileira, informação que é desmentida pelo presidente da Cnotinfor. "Não é nada disso", diz o executivo, explicando que este valor, na realidade, está relacionado ao faturamento que as empresas projetam ter no Brasil no prazo de um ano, tendo como base a venda de 2 milhões de equipamentos, os quais também serão destinados a outros países, como a África do Sul.
Tanto os portugueses quanto os indianos já têm algum tipo de representação no Brasil. Atualmente a Cnotinfor tem seus sistemas vendidos no país pela Clik Tecnologia Assistiva, uma empresa de Porto Alegre. Já a Encore Sofware tem como representante Peter Knight, executivo que é dono da Telemática e Desenvolvimento, companhia com sede no Rio de Janeiro e escritório em Washington, nos EUA.
Na última sexta-feira, diz Knight, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) recebeu 40 unidades do Mobilis para testes. A primeira exposição do produto ao governo brasileiro foi feita em outubro do ano passado, comenta o executivo, depois de duas visitas do presidente mundial da Encore, Vinay Deshpande, feitas ao país.
Baseado em software livre, o Mobilis quer fazer frente a outras duas opções avaliadas pelo governo federal: o laptop de US$ 100, do MIT, que será produzido pela chinesa Quanta Computer; e o Classmate, máquina educacional da Intel que terá fabricação no Brasil pela Positivo Informática e CCE. Das três opções, a mais adiantada é a máquina do MIT, que, segundo José Luiz Aquino, assessor da Presidência da República, já está em fase de teste em duas escolas públicas, em São Paulo e Porto Alegre. "O ClassMate, da Intel, só deve chegar em abril ou maio", diz.
Mas independente das decisões do MEC quanto ao produto que será distribuído nas escolas públicas do país, Sosa, da Telavo, já adianta: "Vamos fazer do Mobilis um produto de mercado, seja qual for a decisão do governo".