Título: Em SP, Prouni tem mais alunos que USP, diz petista
Autor: Di Cunto, Raphael
Fonte: Valor Econômico, 18/10/2012, Política, p. A14
O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, reforçou ontem o discurso de que a atual gestão, do prefeito Gilberto Kassab (PSD), rejeitou os recursos e programas do governo federal para a cidade. O tema foi explorado pelo petista em entrevista ao jornal SPTV, da Rede Globo, com críticas principalmente ao o ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider, vice na chapa do adversário José Serra (PSDB).
O petista foi questionado sobre o motivo para não ter feito mais investimentos na cidade quando ministro da Educação. Rebateu dizendo que em São Paulo há mais bolsista do ProUni do que alunos na Universidade de São Paulo (USP), que é de gestão estadual, e que só não há mais projetos do governo federal na capital paulista porque a prefeitura não quis.
"A prefeitura, não só na educação como em várias outras áreas do governo, não respondeu aos editais que foram publicados. Não trouxe as UPAs [Unidades de Pronto-Atendimento], ficou mais de três anos para desapropriar terreno para instalação de uma universidade federal na zona leste, desprezou R$ 250 milhões para construção de creches", disse Haddad.
O ex-ministro citou entrevista de Schneider feita há dois anos para o SPTV, em que o ex-secretário dizia, segundo Haddad, que a cidade não tinha terrenos disponíveis para construir as creches. "Quero dizer ao paulistano que cada centavo que o governo federal colocar à disposição da cidade, eu vou utilizar, porque é um direito seu", disse o petista.
Haddad ainda teve de responder se, a exemplo de dirigentes do PT que fizeram ato de desagravo aos ex-presidentes do partido José Dirceu e José Genoíno após a condenação de ambos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no mensalão, também aplaude os dois. "Olha, sou candidato a prefeito de São Paulo, e como postulante a chefe do Executivo paulistano, devo respeito ao STF", afirmou.
O petista repetiu o discurso de que, como o julgamento do mensalão coincidiu com o período eleitoral, não teve tempo de analisar a decisão do Supremo e não teria como comentar. Disse, porém, que aguarda o fim de processos semelhantes, como o mensalão tucano em Minas Gerais e do DEM no Distrito Federal. "Aí o Supremo vai mostrar que foi imparcial, que julgou todos os partidos que foram envolvidos nesse processo que teve início com o PSDB."
Em entrevista à rádio CBN mais cedo, o candidato repetiu o discurso, mas concordou, em resposta à entrevistadora, que o julgamento foi uma "depuração na política". "[As condenações] Tem que ser vistas assim, porque é a decisão de ultima instância, não cabe recurso."
Haddad recebeu ontem apoio do ministro do Trabalho, Brizola Neto (PDT), e de parte da Força Sindical. O ato evidenciou o racha na central, presidida pelo ex-candidato do PDT, Paulo Pereira da Silva, que fez aliança com Serra no segundo turno. O PDT nacional também divergiu do municipal e do estadual -comandando por Paulinho -, que seguiram a decisão do candidato e apoiaram o tucano.
Brizola disse que a aliança com Serra foi "decisão pessoal do Paulinho" que não passou por instâncias partidárias. "Essa posição colocaria o PDT na contramão da história do trabalhismo."