Título: Oxiteno monta base de venda na Argentina
Autor: Rocha, Janes
Fonte: Valor Econômico, 02/03/2007, Empresas, p. B7

A Oxiteno, empresa petroquímica do Grupo Ultra, dará no próximo dia 8 em Buenos Aires mais um passo importante em seu plano de expansão de suas operações internacionais. Neste dia, toda sua diretoria estará na capital portenha para um coquetel de apresentação para clientes da Oxiteno Argentina, filial aberta em novembro. Será mais uma das grandes companhia da área petroquímica do Brasil a se instalar no país, seguindo a trilha aberta pela Petrobras, que trouxe sua divisão de petroquímica junto com a de petróleo e gás.

Maior indústria de óxido de eteno e seus derivados na América Latina, a Oxiteno também fabrica e exporta glicóis e solventes. Seus principais clientes são as indústrias de cosméticos, têxtil, de embalagens PET, de defensivos agrícolas e tintas. A primeira investida no exterior foi em 2003, quando comprou no México a Canamex, fabricante de tensoativos baseada em Guadalajara e, um ano depois, uma fábrica de especialidades químicas que pertencia à Rhodia, em Veracruz.

No ano passado, a Oxiteno decidiu colocar sua bandeira na Argentina, Estados Unidos, Europa e Ásia. As demais filiais estão em fase de definição dos locais. "O conceito é estar mais próximo dos clientes", explicou João Benjamim Parolin, diretor superintendente da Oxiteno. Segundo ele, a idéia é primeiro chegar com um escritório - uma operação enxuta que custou aproximadamente US$ 500 mil - para prestar serviços. Hoje, a empresa vende no exterior através de tradings e representantes, com os quais distribui seus produtos em forma de commodities.

A intenção é ampliar as vendas de especialidades químicas, que compõem cerca de um terço de seu mix de produção e têm maior valor agregado. Fernanda Brasil, gerente de relações com os investidores, explica que vender esse tipo de produto equivale a vender o "efeito". Por exemplo, diz ela, a Oxiteno fornece o ingrediente que dá liga e evita o ardor nos olhos nos sabonetes e xampus infantis. Estes ingredientes têm que ser ajustados à produção das fábricas locais e à composição dos demais produtos fornecidos por outras indústrias.

A análise das necessidades dos clientes e a adaptação à produção local será o trabalho dos representantes baseados na nova filial. "O principal serviço é a aproximação mais técnica, que pode redundar também em um serviço logístico (gerenciamento dos estoques para agilizar a entrega dos produtos), crédito e cobrança", diz Parolin.

Atualmente, as exportações já representam 30% do faturamento da empresa, em torno US$ 700 milhões. A Argentina é o principal mercado de exportação e Parolin aposta que será cada vez mais importante. Segundo dados da Câmara Argentina da Indústria Química e Petroquímica, o setor - cuja produção representa cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) - apresentou crescimento de 6% na produção física em 2006 comparado a 2005. As vendas locais subiram 23%, puxadas por uma forte expansão de 52% das vendas de produtos intermediários, 35% dos polímeros e 20% de produtos químicos orgânicos. No geral, segundo a Câmara, o setor exportou apenas 2% mais no ano comparado a 2005. Mas estudo elaborado pela consultoria Abeceb.com mostra que as exportações de químicos orgânicos aumentaram cerca de 10% em valor mas caíram quase 10% em volume no ano passado.

"O mercado argentino vem crescendo muito, é prioritário e estratégico para nós", diz o executivo, evitando detalhar a participação do país. A instalação de uma fábrica ou a aquisição de uma já existente é uma possibilidade, garante Parolin, mas vai depender do andamento da operação, do crescimento da demanda. "Na sequência, você abre o escritório, com o passar do tempo aumenta as vendas, os estoques e pode eventualmente abrir uma fábrica. Depende da disposição de matérias primas, do tipo de indústria. É uma análise que vamos fazer. Só faremos uma aquisição que faça sentido, não para ficar maior, mas para ser melhor e gerar valor para os acionistas."

A Oxiteno é uma das três empresas da Ultrapar, holding que controla também a Ultragaz (que detém 25% do mercado de gás de butijão no Brasil) e a empresa de distribuição Ultracargo.