Título: Telemar mantém plano de aquisições
Autor: Vieira, Catherine e Grabois, Ana Paula
Fonte: Valor Econômico, 01/03/2007, Empresas, p. B2

Após apresentar oficialmente ontem o plano de convergência da Telemar para a marca Oi, o presidente da empresa, Luiz Eduardo Falco reiterou que os planos de aquisições e de construção de uma plataforma de operação nacional continuam ambiciosos. "O Brasil tem que ter uma plataforma nacional, politicamente temos um ambiente para isso acontecer, mas precisa do decreto presidencial", disse Falco, referindo-se às restrições regulatórias que existem hoje para a união ou aquisição de outras empresas do setor.

Ele também voltou a falar na importância de ter uma empresa de capital nacional liderando a integração dessa plataforma. "Porque vamos deixar esse tubo de dividendos saindo para o exterior se podemos manter a aplicação disso aqui dentro? Nós estamos aqui para ficar", disse Falco. A Telemar, que anunciou hoje a adoção do nome Oi para toda a operação, de telefonia fixa e celular, é a única operadora do país com capital totalmente nacional.

Mesmo após o fracasso, em dezembro, da reestruturação societária - que era considerada por Falco um elemento importante para aumentar a possibilidade de alavancagem da Telemar na busca por novas aquisições -, o executivo diz que o apetite ainda é alto. "A diferença agora é que teremos que nos planejar para essa expansão dentro do limite do nosso caixa, que também é bastante robusto, poderosíssimo", diz Falco.

Ele despista quando o assunto são os alvos elegíveis. "Qualquer ativo que faça sentido para nós e esteja a bom preço", afirma ele, lembrando que a Telemig está em processo de venda e que também chegou a se falar sobre uma eventual venda da TIM. "Há também o mercado de TV a cabo, estamos atentos às oportunidades", avisa Falco, que ainda aguarda um parecer final da Anatel sobre a compra da Way TV, em Minas Gerais.

O executivo também avalia que a companhia não deve reapresentar a proposta de reestruturação societária e pulverização do capital. "Alguns que votaram contra já chegaram a dizer que hoje, vendo a perda de valor das ações, teriam posicionamento diferente. Mas não acho que vai haver nova proposta, no mercado há um timing certo para cada coisa", disse. Sobre os investimentos para esse ano, ele reiterou que devem ficar em linha com os do ano passado, de cerca de R$ 2,4 bilhões.

Ontem, Falco apresentou o projeto de convergência da marca, pelo qual a telefonia fixa passará a ter o nome de Oi Fixo e a internet será Oi Velox e Oi internet. Diversos pacotes de múltiplos serviços com descontos progressivos também estarão disponíveis para os clientes. A novidade começa a ser comunicada a partir de hoje por meio de uma campanha publicitária que terá como mote a simplificação dos serviços para o consumidor.

Após pesquisa encomendada à Interbrands e diversos estudos junto a consumidores, a companhia decidiu optar por usar a marca Oi, antes restrita à operação de celular, para todo o grupo.

A companhia também está focando nos lançamentos do Oi Paggo, que funciona como um cartão de crédito pelo celular e que poderá ser usado para pagar serviços que hoje não são atingidos pelo cartão, como táxi. Também o recarregamento do pré-pago a partir de R$ 1 e sem a necessidade de cartão é outra aposta da empresa para atingir maior número de consumidores. (*Do Valor Online)