Título: PSDB e PT têm nove em dianteira folgada
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Fonte: Valor Econômico, 26/10/2012, Política, p. A11

Se em boa parte dos duelos de domingo, haverá emoção, com possibilidade de viradas de última hora, em 21 dos 40 municípios pesquisados, os líderes estão numa situação bem mais confortável, com dez pontos percentuais ou mais de diferença. São os "praticamente eleitos". O PSDB reúne a maior parte deles, cinco (Manaus, Teresina, Blumenau, Franca e Taubaté), e o PT vem em seguida, com quatro (São Paulo, Guarulhos, Santo André e João Pessoa). Mais quatro partidos têm praticamente garantidos dois municípios cada: PDT (Curitiba e Natal), PMDB (Juiz de Fora e Guarujá), PPS (Vitória e Cariacica) e PSD (Ribeirão Preto e Joinville). Outras quatro legendas têm boa vantagem em uma cidade: DEM (Vila Velha), PCdoB (Belford Roxo), PP (Campo Grande) e PV (Diadema).

Ou seja, dos 19 partidos que disputam o segundo turno, ao menos dez deles devem eleger um prefeito no domingo.

Entre as capitais, o candidato com a maior vantagem é o petista Luciano Cartaxo, que tem 73% dos votos válidos contra 27% do senador tucano Cícero Lucena. Diferença tão grande assim só é apontada para Arthur Virgílio (PSDB), em Manaus, que teria 72% a 28% contra a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), e em Campo Grande, onde Alcides Bernal (PP) deve impor uma derrota histórica ao PMDB do Mato Grosso do Sul, liderado pelo governador Andre Puccinelli. Seu candidato, o deputado federal Edson Giroto, aparece com 32% contra 68% de Bernal - cujo perfil midiático fez mais sucesso que o de Russomanno em São Paulo.

Resultados como este devem levar a um enfraquecimento do PMDB no grupo dos municípios mais cobiçados, com mais de 200 mil votantes e que representam 36,4% do eleitorado do país. Os pemedebistas elegeram no primeiro turno três prefeitos nestas grandes cidades: Rio de Janeiro, Aparecida de Goiânia e Bauru. Para manter o desempenho das últimas três eleições, quando teve em média 16,5% destas prefeituras, o PMDB necessita chegar a 14. Ou seja, precisaria de mais 11 vitórias nas 16 cidades em que disputa, um aproveitamento de 69%, muito acima da taxa de sucesso de 43% que registrou no primeiro turno.

O PT, para manter sua média de 25,9% municípios com mais de 200 mil eleitores, precisa eleger 22 prefeitos - uma tarefa também difícil, pois ganhou oito no primeiro turno e teria que vencer 14 das 21 cidades (66%) onde está na disputa.

Os tucanos têm média de 19% e precisariam chegar a 16 prefeituras. Ganharam seis e precisariam de dez vitórias em 17 (58%).

O PSB, por outro lado, é o que depende menos do segundo turno. Sua média, desde 2000, é de 6,9%. Precisaria eleger seis prefeitos. Basta vencer uma das sete cidades no domingo. (C.K.)