Título: Eleições no país custaram R$ 3 bilhões
Autor: Iunes, Ivan
Fonte: Correio Braziliense, 30/11/2010, Política, p. 5

A apresentação das últimas prestações de contas dos candidatos que participaram dos segundo turno das eleições de outubro eleva o custo total do pleito para pouco mais de R$ 3 bilhões. Somente na campanha presidencial, o gasto foi de R$ 324 milhões ¿ cerca de R$ 2,40 por eleitor. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o voto mais caro do país é o de Roraima, onde cada um custou pouco mais de R$ 100. Embora elevada, a conta não parece pesar no bolso do eleitor. Segundo pesquisa do TSE, cerca de 20% da população já não lembra mais em quem votou para deputado estadual ou distrital.

O balanço das prestações de contas dos candidatos que encerraram a participação no pleito já no primeiro turno foi apresentada ontem pelo tribunal, com gastos de R$ 2,77 bilhões. Quem disputou o segundo turno tem até o fim do dia para apresentar o balanço final. Mesmo antes do prazo, parte dos número já são conhecidos. Os dois rivais pela Presidência, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), gastaram cerca de R$ 130 milhões e R$ 170 milhões, respectivamente, segundo informações dos tesoureiros das campanhas. ¿Fecharemos com a arrecadação um pouco menor do que as despesas, o que será perfeitamente absorvível pelo partido¿, explica Márcio Fortes (PSDB-RJ), um dos arrecadadores tucanos.

Mais caros Entre os governadores que participaram do segundo turno, poucos decidiram antecipar a prestação de contas. Eleito governador do Amapá, Camilo Capiberipe (PSB) alega ter gastado R$ 395 mil; reeleito em Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB) apresentou uma cifra de R$ 21,2 milhões, contra R$ 2,7 milhões de Wilson Santos (PSDB).

Entre os estados que fecharam a conta já no primeiro turno, o voto mais caro foi o de Tocantins, R$ 54 por eleitor, seguido por Mato Grosso do Sul (R$ 49,69) e por Amazonas, (R$ 35,25). Estados que estão no topo do ranking, como Roraima (R$ 96,3), Mato Grosso (R$ 54,04), Rondônia (R$ 40,08) e Goiás (R$ 38,65), apresentarão número finais ainda maiores, com os dados referentes às campanhas a governador no segundo turno.

De acordo com o TSE, a enxurrada de gastos nas campanhas não serviu para manter as eleições de 2010 vivas na mente do eleitor por mais de um mês. Em pesquisa feita pelo Instituto Sensus entre 3 e 7 de novembro, cerca de 30 dias depois do primeiro turno, 23% dos votantes já não lembravam em quem haviam votado para deputado estadual ou distrital. O índice de amnésia repete-se nos outros cargos, onde 21,7% não conseguem puxar da memória quem foi o nome votado para deputado federal e 20,6%, para os dois lugares no Senado.