Título: País é 10º maior economia do mundo
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 22/03/2007, Brasil, p. A4
As mudanças anunciadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) "engordaram" o tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, que em 2005 passou de US$ 796 bilhões para US$ 882,1 bilhões. O aumento não foi suficiente, porém, para o país ganhar posições no ranking das maiores economias do mundo de dois anos atrás: o Brasil se manteve no 10 posto, ampliando a distância em relação aos US$ 793,1 bilhões do PIB da Coréia do Sul, mas ainda longe do US$ 1,126 bilhão do da Espanha. No ranking dos três anos anteriores, porém, o país ganhou algumas posições. Os números são da Austin Rating.
Em 2002, o novo PIB brasileiro superou o da a Índia, e o país passou para a 12 colocação. No ano seguinte, o Brasil ultrapassou Austrália e Holanda, pulando do 15 para o 13 lugar. Em 2004, o país também ganhou duas posições, de 15 para 13, mais uma vez passando Holanda e Austrália.
O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, acredita que o valor do PIB de 2006 também vai aumentar, mas não a ponto de fazer o país ganhar novas posições no ranking do ano passado. A questão, segundo ele, é que o tamanho da economia brasileira não deve crescer o suficiente para ultrapassar o PIB da Espanha. Em 2006, o PIB brasileiro ficou em US$ 944 bilhões.
Nos últimos anos, o Brasil já tinha ganhado posições no ranking mesmo com a metodologia antiga, em boa parte devido à valorização do câmbio, que aumenta o valor do PIB em dólares. Para Agostini, uma economia maior pode ajudar o país a receber mais investimentos estrangeiros, por mostrar que o mercado do país é grande, ainda que o crescimento dos últimos anos não seja dos maiores.
Com as revisões na metodologia de cálculo do PIB, a média de crescimento na era Lula aumentou significativamente, considerando apenas os anos de 2003 a 2005 - o do ano passado será divulgado apenas na semana que vem. Nos três primeiros anos da administração do petista, a expansão média anual da economia aumentou de 2,6% para 3,2%. No caso da administração Fernando Henrique Cardoso, o quadro piorou um pouco. De 1996 a 2002, a taxa média de crescimento caiu de 2,1% para 2%. O IBGE não divulgou o resultado para 1995, o primeiro do governo tucano, por considerar impossível fazer a comparação com 1994, uma vez que esse ano ainda teve hiperinflação no primeiro semestre.
A média do primeiro mandato de FHC, considerando apenas de 1996 a 1998, ficou em 1,8%. Pelo cálculo antigo, o PIB cresceu 4,2% em 1995, um número que, ao ser excluído, derruba significativamente a média do primeiro governo tucano. A média do segundo mandato, de 1999 a 2002, ficou em 2,1%.
As revisões para os anos anteriores a 2000 foram mais modestas e, em geral, para baixo. A nova metodologia, vale notar, usa como base o ano 2000. Para os anos anteriores, não houve incorporação de números novos, mas uma aplicação das novas ponderações sobre os dados antigos.
O coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Roberto Olinto, disse que, diante dessas diferenças não é recomendável fazer comparações entre a evolução da economia entre períodos de governo de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. "Foi o melhor que conseguimos fazer, mas extrapolar o uso desses dados pode ser perigoso." (Com agências noticiosas)