Título: México supera Brasil em ranking de TI
Autor: Borges, André
Fonte: Valor Econômico, 29/03/2007, Empresas, p. B3

O fato de o Brasil ter movimentado US$ 9,09 bilhões em software no ano passado e comprado mais de 7 milhões de computadores, números que remetem a um dos melhores resultados do setor nos últimos anos, não foi suficiente para fazer com que o país alcançasse uma posição de destaque no ranking anual de competitividade tecnológica, estudo realizado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês).

Batizado de Networked Readiness Index (NRI), o relatório divulgado ontem analisa qual foi o impacto das tecnologias da informação e comunicação (TIC) na competitividade das empresas e no processo de desenvolvimento econômico e social de cada país ao longo de 2006. O Brasil, que em 2005 ficou com a 52ª posição do ranking geral - depois de ocupar a 46ª no ano anterior -, caiu agora para a 53ª colocação.

Com esse resultado, foi ultrapassado por países como o México, um de seus principais concorrentes no mercado latino-americano de TIC. Ao subir seis posições no estudo, os mexicanos alcançaram a 49% colocação, embora a internet seja um serviço acessado por apenas 17 pessoas em cada 100 habitantes daquele país, média que sobe para 19 no Brasil. "Um conjunto de fatores explica o porquê dessa mudança no ranking. Acesso à web é apenas um item", disse a economista sênior do WEF e co-editora do estudo, Irene Mia, em entrevista ao Valor. "O Brasil evoluiu no setor, mas ainda apresenta uma série de problemas no que se refere à educação e à burocracia estatal."

Na edição mais recente, o relatório do Fórum Econômico Mundial analisou 122 países. O Chad, país da região central da África, ficou com o último lugar, posição que foi ocupada pela Etiópia no ano anterior. No topo do ranking está a Dinamarca, que subiu duas posições em relação ao estudo do ano passado. Uma das maiores surpresas do relatório foi a queda dos Estados Unidos, que no ano passado lideraram o ranking e agora ocupam a sétima colocação.

Os latino-americanos, de maneira geral, não conseguiram cavar posições de destaque. Entre os países da região, a pior colocação é a do Paraguai (114ª), seguido pela Bolívia (104ª) e Nicarágua (103ª). O Chile, por outro lado, ocupa a melhor colocação (31ª), embora tenha caído duas posições na comparação com o relatório anterior.

Neste ano, comentou Irene, os destaques ficaram mesmo a cargo dos pequenos países da América Central, embora ainda estejam bem longe dos líderes. Exemplos são a República Dominicana (66ª ), que subiu 23 posições; a Costa Rica (56ª ), que saltou 13 colocações; e a Guatemala (79ª ), que deixou 19 países para trás.

Embora o desempenho brasileiro não dê margem para comemorações, a economista do WEF chamou a atenção para algumas áreas específicas em que o país se destacou - como, por exemplo, nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Nesse quesito em particular, o Brasil ocupou a 30ª colocação do ranking, enquanto o México ficou na 60ª posição e o Chile, na 48ª. "O Brasil é hoje a nação que mais investe em P&D em toda a América Latina", disse Irene. "Mas não basta. É preciso criar regras mais flexíveis para que o mercado receba toda essa inovação."

Outro item do desempenho nacional que também se destacou foi a sofisticação do mercado financeiro, área em que o Brasil ocupou a 28ª colocação entre as 122 nações avaliadas.