Título: Kassab diz a presidente que maioria do PSD apoia reeleição
Autor: Costa , Raymundo
Fonte: Valor Econômico, 14/11/2012, Política, p. A12
Apesar de ter apoiado a candidatura tucana de José Serra à Prefeitura de São Paulo, nas eleições municipais, o prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD disse à presidente Dilma Rousseff que a maioria do partido apoia sua reeleição em 2014, embora a sigla tenha se formado com integrantes de outras legendas, especialmente do Democratas, que em 2010 apoiaram tanto Serra como Dilma.
Dilma e Kassab jantaram no Palácio da Alvorada, anteontem, na sequência de encontros que a presidente vem mantendo com os partidos da base aliada, para discutir a relação com a base nos dois últimos anos de mandato. Ontem, a presidente recebeu o presidente do PP, Francisco Dornelles, sempre acompanhada do presidente do PT, Rui Falcão, e da ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais).
"Transmiti meu sentimento pessoal de que o Brasil mereceria de parte dela o exame de sua candidatura à reeleição. E, caso ela fosse candidata à reeleição, eu, do ponto de vista pessoal, iria defender sua reeleição dentro do PSD", disse Kassab. Essa é uma discussão que terá lugar a partir do início de 2013 para que o partido possa estar unido na mesma posição.
Ao convidar os parlamentares que o ajudaram a fundar o PSD, Kassab se comprometeu que o partido teria uma posição de "independência" em relação ao governo. Agora, passadas as eleições, essa posição deve ser revista, até mesmo porque constitui a maioria do partido. Ele mesmo já explicou a José Serra sua movimentação - foi leal com o tucano que lhe escolheu como candidato a vice em 2004, ao apoiar sua candidatura a prefeito em outubro último.
O problema de Kassab, no entanto, são os Estados. "Cada Estado tem sua lógica", ele costuma dizer, desde a fundação do PSD. De maneira geral, o prefeito de São Paulo recebeu a ajuda dos governadores para conseguir a adesão dos deputados federais necessários à criação do partido: quase sempre parlamentares que gostariam de apoiar formalmente o governo local, mas estavam em legendas de oposição.
"Todos os líderes do PSD, diretórios regionais e parlamentares terão oportunidade de se manifestar para que a gente possa, em um grande encontro nacional, definir majoritariamente para onde o partido quer caminhar em 2014", disse. Kassab quer que o partido entre na base de apoio ao governo simultaneamente ao anúncio de que apoiará a candidatura de Dilma à reeleição. Kassab considera muito remota a hipótese de Serra ser novamente candidato em 2014.
É certo que o atual prefeito não deve encontrar muitas dificuldades para levar o PSD para a base de Dilma, sobretudo se a aliança for selada com a indicação de um pessedista para o ministério. Mas de acordo com o prefeito, ainda há no partido diversas opiniões sobre o assunto que precisam convergir.
"Todos sabem que o partido hoje tem entre seus integrantes pessoas que vieram do apoio a candidatura do PSDB em 2010, como eu, e outros que vieram do apoio à candidatura do PT, como diversos companheiros de outros Estados. Nós vamos, ao longo de 2013, pela primeira vez, construir uma unidade. Construir um único caminho onde todos vão seguir a vontade da maioria do partido e isso será feito com muito cuidado e muita calma para que a gente possa ter uma unidade".
Segundo Kassab, no encontro com a presidente Dilma Rousseff não foi discutido espaço no governo. "Nossa expectativa é nos posicionarmos em relação a 2014. Não tem nenhuma vinculação de participar ou não de governo. Nossa expectativa não é em relação a cargos, é em relação ao Brasil", disfarçou Gilberto Kassab. "Nesse momento não tem sentido [participar do governo]. O importante é que tenhamos uma definição do que vamos fazer em 2014. Definido nosso posicionamento e, caso esse direcionamento seja em relação ao apoio a presidenta, seria uma honra muito grande [participar do governo]". Segundo Kassab, o PSD tem bons quadros a oferecer.