Título: Vestuário e calçados iniciam com encomendas
Autor: Chico Santos
Fonte: Valor Econômico, 08/01/2005, Brasil, p. A4

O ano começou bem para os setores de vestuário e de calçados. Um bom exemplo é o da De Millus, uma das maiores confecções do país de moda íntima, que cancelou as tradicionais férias coletivas de janeiro para atender pedidos para reposição de estoques. A diretora de marketing, Eva Goldman, disse que as férias para os 3.115 empregados serão dadas em fevereiro, e de forma escalonada. "Vamos deixar alguns grupos trabalhando para atender a demanda por modelos mais solicitados." Normalmente, as férias teriam começado no Natal, mas a pressão do varejo não só obrigou a mudança do período como já permite que a empresa estime para 2005 um crescimento da produção de até 30%. O aumento poderá ser maior dependendo das exportações, mercado no qual somente neste ano a empresa apostará de maneira intensiva. "Antes exportávamos pouco, com a nossa própria marca. Em 2004 exportamos 80 mil peças, cerca de US$ 250 mil. Agora vamos exportar para que o cliente coloque sua marca." Eva considera que a resposta do mercado externo "é uma incógnita", mas admite que pode modificar para melhor as perspectivas para este ano. A meta é colocar 30% da produção no exterior. Em 2004, segundo Eva, a De Millus aumentou seu faturamento em 5%, após enfrentar dificuldades nos três primeiros meses do ano. Ela não forneceu os números absolutos, argumentando que eles ainda não estavam totalmente fechados. A Marisol vem apostando há três anos no mercado externo, e colheu bons resultados em 2004. As vendas externas dobraram em 2004, e a expectativa do gerente de exportações Cláudio Imianowsky é de uma expansão de 80% a 90% em 2005. Ele não forneceu valores absolutos. A valorização do real em relação ao dólar atrapalha, mas, como o principal mercado é a Europa, a empresa consegue se manter competitiva. A idéia é conquistar novos mercados como países do leste europeu e na Ásia. A fábrica de calçados Azaléia já recebeu novas encomendas de lojas que querem refazer estoques. "O fim de ano foi muito bom para o varejo, o que nos traz boas perspectivas para o começo deste ano", diz Paulo Santana, diretor de marketing. Mas o movimento só deve se mostrar forte a partir de fevereiro, após os lançamentos das coleções na feira do setor, a Couromoda. Carlos Brigagão, diretor da Sândalo, também aguarda a feira. Mas adianta que as encomendas devem chegar logo. "Falei com seis clientes sobre o Natal e todos disseram que as vendas foram boas". (Colaboraram Sérgio Lamucci e Raquel Salgado, de São Paulo)