Título: Desemprego ofusca melhora em França e Itália
Autor: Parussini , Gabriele
Fonte: Valor Econômico, 28/12/2012, Internacional, p. A13

Duas das maiores economias da zona do euro deram sinais hesitantes de melhora ontem, mas qualquer otimismo sobre as perspectivas foi minimizado por novas provas de que o desemprego continua crescendo.

Os dados sobre o desemprego na França, divulgados pelo Ministério do Trabalho, mostraram que o número de pessoas sem trabalho subiu pelo 19º mês consecutivo em novembro, com a categoria A de desempregados - ou seja, os registrados como totalmente desempregados, mas que estão procurando emprego - chegando a 3,1 milhões na França continental, uma alta de 0,9% em relação a outubro.

"O aumento no número de desempregados na França tem sido contínuo desde 2008 e foi particularmente forte no último ano e meio", afirmou o Ministério do Trabalho em um comunicado.

Os dados do trabalho ofuscaram os números um pouco mais positivos de outras partes da economia francesa, divulgados na quinta-feira.

O Insee, instituto de estatísticas da França, havia informado que a confiança do consumidor subiu em dezembro, apesar do aumento do desemprego e das perspectivas desanimadoras.

E, em outras áreas, pareceu que os esforços do presidente François Hollande para reforçar as finanças públicas da segunda maior economia da zona do euro começaram a dar frutos, com a notícia de uma queda na razão entre a dívida pública e o PIB no terceiro trimestre.

Enquanto isso, na vizinha Itália, o instituto nacional de estatísticas, a Istat, informou que o índice de confiança das empresas subiu em dezembro pelo segundo mês consecutivo.

Os novos pedidos, que são o componente do índice mais voltado para o futuro, foi seu elemento mais forte.

Mas a medida mais ampla da Istat de confiança das empresas, que inclui os setores de varejo, serviços e construção, caiu de um nível revisado de 76,5 em novembro para 75,4 em dezembro, o mais baixo em quase sete anos.

A confiança na Itália permanece sob pressão devido à incerteza no cenário político.

O país deve realizar eleições gerais no final de fevereiro do ano que vem, e grande parte de ambas as alas políticas estão questionando as medidas de austeridade de Mario Monti, o primeiro-ministro tecnocrata em vias de deixar o cargo.

O aumento do índice de confiança do consumidor francês, de 84 em novembro para 86 em dezembro, foi o primeiro a ser registrado desde maio.

O Insee informou que os consumidores pareciam mais confiantes quanto ao seu futuro padrão de vida, mas temem que o desemprego aumente.

O instituto estimou neste mês que a economia iria se contrair no último trimestre de 2012 e ter um aumento apenas modesto no primeiro semestre de 2013.

Se essa previsão for correta, seria necessária uma rápida aceleração no crescimento da economia no segundo semestre de 2013 para que o governo possa cumprir seu plano de reduzir o déficit para 3% do PIB, ante os estimados 4,5% de 2012.

Em outro comunicado, o Insee informou que o saldo da dívida pública caiu € 14,5 bilhões, para € 1,818 trilhão (US$ 2,4 trilhões), no final do mês de setembro em relação ao trimestre anterior. Isso ocorreu graças a uma queda no endividamento das administrações públicas centrais.

Essa redução no saldo abaixou a dívida pública de 91% do PIB para 89,9%. O governo francês ainda espera que a proporção da dívida alcance um pico de 91,3% no fim do ano que vem, antes de começar a cair em 2014.

Dominique Barbet, economista do BNP Paribas em Paris, disse que a queda da dívida é "uma boa notícia". Ele nota que isso sugere que a meta de 4,5% do PIB para o déficit deve ser alcançada neste ano.

O governo pretende equilibrar as finanças públicas até o final do mandato do presidente Hollande, em 2017.

"Este é um plano ambicioso e pretendemos implementá-lo sem lutar por uma política orçamentária antiquada de aumentos nos impostos e nos gastos", escreveu o ministro da Fazenda, Pierre Moscovici, na edição de quinta-feira do jornal alemão "Handelsblatt". "Ao longo dos próximos cinco anos, a redução nos gastos será superior aos aumentos nos impostos e trará € 60 bilhões de euros."

Moscovici acrescentou que o país já havia alcançado um nível de dívida "inaceitável", de € 1,7 trilhão, no ano passado.

O governo socialista de Hollande está sob estreita vigilância das agências de classificação de crédito, pois um crescimento econômico abaixo das expectativas governamentais fará com que este não cumpra sua meta.

Duas das três grandes firmas internacionais de classificação já tiraram do país sua cobiçada classificação AAA, mas a agência Fitch Ratings a confirmou no início deste mês, embora com um cenário negativo.

Indispensável para uma perspectiva de crescimento é aumentar a competitividade das empresas do país, que vêm ficando para trás das alemães, em especial, nos últimos dez anos.

O governo já fez planos para € 20 bilhões em incentivos fiscais ao longo de três anos com o objetivo de ajudar as empresas a reduzir os custos trabalhistas.

Mas o apelo de Hollande para que empregadores e sindicatos cheguem a um acordo mais abrangente, a fim de aumentar a competitividade por meio de mais flexibilidade no trabalho, ainda não foi atendido e continua sendo debatido intensamente pelos dois lados.