Título: Venda de ações da Usiminas deve movimentar R$ 1,7 bi
Autor: Durão, Vera Saavedra
Fonte: Valor Econômico, 08/03/2007, Empresas, p. B2
A oferta global de ações ordinárias da Usiminas em poder da Vale do Rio Doce e da Previ, fundação dos empregados do Banco do Brasil, deverá colocar no mercado, em abril, um lote básico de 16,4 milhões desses papéis. O volume corresponde a 14,6% do capital votante da usina de Ipatinga (MG) e está avaliado em R$ 1,7 bilhão pela cotação de ontem.
O prospecto da oferta destaca que 10% serão destinados ao varejo e, em caso de uma demanda muito aquecida, poderá ser feita uma colocação extra de até 2,4 milhões de ações pelo coordenador da operação, o banco americano Merrill Lynch.
A maior fatia do pacote é de 13,8 milhões de títulos, ou 12,3% do capital votante, de posse da Vale. São sobras dos 23% de participação original da mineradora na siderúrgica, antes da reestruturação societária ocorrida no fim do ano passado, quando entrou com uma fatia de 5,9% de ordinárias no bloco de controle. A menor parcela, de 2,6 milhões de ações ordinárias, é de propriedade da Previ, correspondente a apenas 2,3% dos 14,9% que o fundo de pensão detém de ordinárias da Usiminas no seu portfólio. A Previ pretende aguardar uma valorização maior dos papéis para colocar o restante no mercado.
Na operação, a Vale deve faturar por volta de R$ 1,4 bilhão, com base no valor da ação ordinária, ontem (R$ 104). A megamineradora está num movimento de desinvestimento de seus ativos que não são foco, com o objetivo de pagar a dívida feita com a compra da produtora canadense de níquel Inco, pela qual pagou US$ 17,6 bilhões à vista. A Previ poderá levar R$ 270 milhões no negócio. A decisão de Vale e Previ de vender ações da Usiminas foi antecipada em novembro pelo Valor.
Com a colocação dos papéis no mercado - 30% no mercado interno e 70% no exterior -, o volume de ordinárias da Usiminas no mercado deve saltar dos atuais 8,4% para cerca de 24%. Na avaliação de Rodrigo Ferraz, analista da corretora Brascan, a oferta, além de dar maior liquidez para as ordinárias da Usiminas, poderá aumentar seu prêmio em relação à preferencial (PNA), cotada ontem a R$ 83,10 por ação. A diferença entre a ação ordinária e a PNA era de 25%, comparado a 16% em novembro do ano passado.
O impacto positivo sobre o prêmio da ordinária é temido pelos analistas, pois poderá desencadear uma corrida por essas ações, com pressão vendedora sobre as preferenciais, o que também pode levar a uma unificação de ações no futuro. Tudo vai depender, porém, do preço a ser fixado para a ação na oferta global, o que será feito por meio da coleta de intenções de investimento, o chamado "bookbuilding".