Título: Ministro do STJ pede que mídia evite julgá-lo
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 16/04/2007, Política, p. A8

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Medina disse que é "um homem rigorosamente de bem" e fez um apelo à imprensa para que evite julgamento precipitado. O irmão dele, o advogado Virgílio Medina, foi preso pela Polícia Federal na Operação Hurricane. "Não espero que a imprensa faça o juízo mais justo ou injusto, mas que tenha a responsabilidade, sem precipitação de esclarecer a verdade", declarou ao site "Consultor Jurídico".

"Com meus 40 anos de magistratura, vividos com dignidade, continuarei a cumprir com altivez de caráter os dias que me restam, realizando com independência, coragem e compreensão dos fatos todas as tarefas que me restam cumprir", disse Medina.

A Polícia Federal suspendeu ontem a coleta de depoimentos dos magistrados, bicheiros, policiais, empresários e advogados presos na última sexta-feira para se concentrar na análise dos documentos apreendidos na maior operação policial já realizada tendo com alvo o Poder Judiciário.

A investigação, que levou à prisão de 25 pessoas e ao cumprimento de 70 mandados de busca e apreensão, foi batizada pela PF de "Hurricane´´ (furacão, em inglês). Desde anteontem, em Brasília, foram ouvidos 17 dos 25 presos, sob a acusação de praticar, entre outros, os crimes de tráfico de influência, corrupção passiva e ativa, quadrilha e lavagem de dinheiro.

A suspensão dos depoimentos foi adotada principalmente como estratégia diante da pouca colaboração dos suspeitos. Eles argumentam que, como seus advogados não tiveram acesso ao processo que tramita no Supremo Tribunal Federal, não poderiam responder aos questionamentos feitos pelos policiais que os interrogavam.

Os presos dizem não saber de que são acusados. Em regra, têm usado o direito constitucional de ficar em silêncio e só devem prestar esclarecimentos em juízo, ou seja, quando eventualmente houver uma ação penal sobre o caso, e não só uma investigação policial.

Os policiais vão trabalhar na análise de duas toneladas de documentos e arquivos de computadores apreendidos. Correm contra o tempo, porque querem buscar informações que lhes permitam questionar os presos em depoimento e pedir a renovação da prisão temporária, que vence terça.

Para o transporte do material do Rio de Janeiro, onde foi cumprida a maior parte dos mandados, rumo a Brasília, foram necessárias duas viagens do jato da PF. Do total de pessoas presas, 23 foram detidas no Rio de Janeiro e duas, na Bahia. Entre os presos estão o ex-vice-presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região, desembargador federal José Eduardo Carreira Alvim; o desembargador federal José Ricardo de Siqueira Regueira, também do TRF da 2ª Região; o juiz Ernesto da Luz Pinto Dória, do Tribunal Regional do Trabalho) da 15ª Região, e o procurador regional da República do Rio João Sérgio Leal Pereira.