Título: Estudo do BC mostra um país ainda frágil em sustentabilidade externa
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 16/04/2007, Finanças, p. C4

Um estudo comparativo feito pelo Banco Central sobre indicadores de sustentabilidade externa mostra que, embora o Brasil tenha avançado muito nos últimos anos, ainda há espaço para melhora, sobretudo pelo aumento do volume de reservas internacionais.

As reservas equivaliam a 8,39% do PIB em 2006, segundo o estudo, apresentado no relatório de inflação de março, a partir de dados da Moody's. Percentual muito parecido com o do México (9,07%), mas bem abaixo de outras economias que receberam grau de investimento, como Hungria e Índia (pouco acima de 18,5%) e Rússia (31,4%).

Não é comum agências de risco examinarem a relação entre reservas e PIB, mas o BC tem dado bastante importância ao indicador, argumentando que o baixo percentual seria motivo mais que suficiente para continuar com a agressiva política de compra de dólares. O indicador foi calculado pelo volume de reservas de US$ 83,706 bilhões do fim de 2006. Hoje, as reservas são de US$ 113 bilhões.

As agências normalmente estão interessadas em comparar as reservas com os compromissos de curto prazo, para checar se são suficientes para fazer frente a uma repentina parada no financiamento externo. Em indicadores como esse, mostra o estudo, o volume de reservas é bastante confortável.

O estudo apresenta o indicador de vulnerabilidade externa, que é a divisão entre os compromissos de curto prazo e reservas. Quanto menor o indicador, mais favorável. Hoje, esses compromissos de curto prazo equivalem a 54% das reservas, bem abaixo dos 206% de 1999.

O Brasil está bem perto de duas economias com grau de investimento, México (44,5%) e Índia (33,8%), e em situação bem mais favorável que a Hungria, país com bom ranting, cujo percentual é de 248,5%. Mas está bem distante da Rússia, cujo indicador de vulnerabilidade é de apenas 13,5%.

O Brasil também tem situação relativamente confortável quando são examinados indicadores sobre a dívida externa. Um deles é o que mostra o percentual da dívida com prazo inferior a um ano. "Grandes volumes de vencimento no curto prazo implicam em riscos de rolagem da dívida externa em momentos de 'stress' nos mercados internacionais", explica o estudo.

O indicador é estimado em 11,7% para 2006. Entre 2002 e 2005, ficou na casa dos 10% . É um percentual parecido com os 9% exibidos pela Índia, mas inferior ao da Hungria e da Turquia.