Título: Lula vai à prefeitura e dá conselhos à equipe de Haddad
Autor: Di Cunto, Raphael
Fonte: Valor Econômico, 17/01/2013, Política, p. A9
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi ontem pela primeira vez à Prefeitura de São Paulo desde que seu ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), foi empossado prefeito. Ele aconselhou prefeito e secretários a buscarem parcerias com o governo federal e estadual para promover o desenvolvimento da cidade e estimular a participação popular no novo governo.
"Foi uma conversa informal, trocando impressões das possibilidades de trabalho", afirmou Haddad, que diz não ter entrado em pauta o terreno que a prefeitura cedeu no centro ao Instituto Lula para construir um "memorial da democracia". Segundo o prefeito, o encontro foi ideia do ex-presidente, que ligou logo após voltar de férias.
Haddad conversou a sós com Lula por cerca de 20 minutos e depois chamou os secretários disponíveis para uma conversa de mais uma hora. Foram à reunião 10 dos 27 secretários - todos do PT ou da cota pessoal do prefeito, além da vice-prefeita Nádia Campeão (PCdoB).
Lula afirmou, de acordo com Haddad, que agora a possibilidade econômica para parcerias é melhor, diferente da de dez anos atrás, e que há um amadurecimento da classe política "ao colocar os interesses do cidadão acima da disputa partidária". Citou como exemplo o Rio de Janeiro, com as parcerias entre os governos municipal, estadual e federal.
A importância das parcerias também esteve no discurso feito pelo próprio prefeito momentos antes, em entrevista à Rádio Bandeirantes. Haddad disse que a prefeitura não tem dinheiro para investimentos e que dependerá da renegociação da dívida pública e de parcerias com outros entes federativos e a iniciativa privada para novas obras. "Hoje na prefeitura temos caixa para o dia a dia. Não há necessidade de ruptura de contratos, de contingenciar a despesa corrente, mas também não temos recursos para investir", disse.
De acordo com Haddad, o principal motivo para a falta de recursos é o aumento do custeio. "Uma série de providências foram tomadas na limpeza urbana e iluminação. Esses contratos são muitos caros", afirmou. O prefeito prometeu rever os contratos, não só do ponto de vista do preço, mas também da qualidade.
Um desses contratos é o da concessionária dos serviços de iluminação - o petista diz que a empresa não tem cumprido as metas, como a troca de lâmpadas queimadas em 72 horas. "O contrato vence este ano e, ou o modelo será revisto, com indicadores de atendimento que sejam cumpridos, ou a empresa vai sair de cena", pontuou.
Como alternativa à falta de dinheiro em caixa, Haddad disse que fará parcerias público-privadas (PPPs) para obras de moradia e transportes. "Podemos fazer novas linhas de ônibus, habitação de interesse social. Os modelos que estão sendo desenvolvidos são de boa qualidade."
Em entrevista, o petista também reagiu às críticas do jornal inglês "Financial Times", que acusou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de levar a economia "no jeitinho" ao pedir para São Paulo e Rio adiarem o aumento da tarifa de ônibus para reduzir a pressão inflacionária em janeiro. "[O ministro] faz política de gestão, não de jeitinho", disse Haddad, que adiou o aumento para maio ou junho. "Se há contratos em que o reajuste coincide, a coisa mais natural do mundo é descasar os reajustes ao longo do ano para que o impacto não seja tão forte."