Título: Grãos levam prosperidade ao Centro-Oeste
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 22/01/2013, Especial, p. A12

No Centro-Oeste, 2012 foi um ano de combinação perfeita para os produtores de grãos. Boas safras e preços em alta garantiram retornos atraentes às empresas, promovendo reflexos na economia da região. Empregos foram criados, a indústria cresceu e os investimentos saíram do papel.

"A quebra da safra de milho nos Estados Unidos foi ótima para os negócios no Brasil. Sem a oferta do maior produtor mundial do grão, a demanda pelos produtos brasileiros aumentou e os preços subiram. Talvez não tenhamos em 2013 preços tão atraentes, mas o cenário continuará favorável porque ainda há escassez", diz José Carlos Hausknecht, sócio da MB Agro Consultoria.

No ano passado, 43,4% da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas teve origem na região Centro-Oeste, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os produtores faturaram com o aumento de 15% no preço do milho e de 19% no da soja no mercado global em 2012, até o fim de novembro.

Do total de grãos produzidos no país, 25% teve origem no Mato Grosso, Estado que, segundo o IBGE responde pela maior parcela da safra nacional. O Estado também é líder no Centro-Oeste quando o assunto é criação de empregos. Entre janeiro e outubro, a região ampliou em 7,2% sua população ocupada, puxada pelo Mato Grosso, onde houve crescimento de 9,3% no período, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

"Um bom desempenho no agronegócio fortalece todos os setores da economia da região, porque faz a atividade girar e isso promove empregos", diz Hausknecht. Ele afirma que os resultados positivos de 2012 e a perspectiva de safra firme em 2013, com preços ainda em níveis elevados, levaram os empresários a investir nos negócios, mesmo diante de uma economia internacional ainda incerta.

No Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os financiamentos a projetos no Centro-Oeste cresceram 6,1% nos nove primeiros meses de 2012, na comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 8,5 bilhões. Grande parte dos investimentos na região, diz Hausknecht, contam com os créditos do BNDES, que permitem não só a compra de máquinas, equipamentos e fertilizantes, como também o desenvolvimento de novas plantas industriais.

Em 2011, o BNDES aprovou financiamento de R$ 2,7 bilhões para a pré-operacional Eldorado Celulose e Papel construir uma fábrica de celulose em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Embora não divulgue quanto foi desembolsado em 2012, a instituição revela que R$ 1,9 bilhão foram liberados entre janeiro e setembro do ano passado para projetos no setor de papel e celulose no Estado.

Apesar do fraco desempenho da produção industrial nacional em 2012 - de janeiro a outubro, a queda acumulada foi de 2,9% em relação ao mesmo período de 2011, segundo o IBGE -, em Goiás, único Estado da região Centro-Oeste onde há acompanhamento da produção industrial, o setor esbanjou vigor, crescendo 5% no período. O resultado refletiu principalmente o avanço de 5,6% na produção de produtos químicos. "Isso pode estar ligado a fertilizantes", pontua Cristina Reis, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). (FL)