Título: Coutinho, indicado por Lula, é o novo presidente do BNDES
Autor: Leo, Sergio
Fonte: Valor Econômico, 19/04/2007, Política, p. A6
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu ontem o economista Luciano Coutinho para a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, que havia pedido ao presidente, ao aceitar a Pasta, que pudesse escolher o titular do cargo, teve sua lista de sugestões vetada. Na lista de Jorge, constava um ex-colaborador seu no Banco Santander, Gustavo Murguel, vetado no Palácio do Planalto com o argumento de que uma pessoa do mercado financeiro não teria o perfil desenvolvimentista desejado por Lula para o banco.
Não adiantou o argumento de Miguel Jorge, de que o atual ocupante do BNDES, Demian Fiocca, também é egresso do mercado financeiro, onde trabalhou, no banco HSBC. Lula ficou irritado com o desembaraço com que o novo ministro anunciou a decisão de demitir Fiocca e com o vazamento de nomes da lista de Jorge. O próprio ministro do Desenvolvimento havia anunciado que submeteria ao presidente uma lista de nomes do mercado financeiro. Ontem, Jorge não quis dar entrevista, mas divulgou que estava satisfeito com a escolha e que Coutinho estava nas cogitações desde o início. Por determinação de Lula.
Segundo um ministro, o governo não aceitaria de nenhuma forma transformar o BNDES, novamente, em banco de investimento, voltado apenas à aprovação de projetos de iniciativa do setor privado, depois de "todo o trabalho" que teve para convertê-lo em banco de fomento, com uma estratégia própria de desenvolvimento. Empresários próximos a Miguel Jorge, desde a posse do ministro, recebiam com ceticismo a hipótese de Lula conceder a Jorge o que havia negado ao antecessor, Luiz Fernando Furlan: a prerrogativa de indicar o nome para o BNDES.
Coutinho já tinha livre trânsito no governo; assessorou, no primeiro mandato, o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci; deu consultoria à TAM e a Varig na tentativa frustrada de fusão das duas empresas, sob as bençãos do Palácio do Planalto; elaborou um estudo, por três anos, sobre a cadeia produtiva do setor de turismo, para o então ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia, hoje ministro das Relações Institucionais. Em novembro, depois da reeleição, encontrou-se com Lula, no Planalto, a pretexto de apresentar ao presidente propostas na área fiscal destinadas a acelerar o crescimento, como a redução de impostos sobre a produção.
Ao anunciar a indicação do novo presidente do BNDES, o porta voz da Presidência, Marcelo Baumbach, disse não ter informações sobre os motivos da saída de Demian Fiocca do cargo, mas fez questão de ressaltar os elogios do presidente ao "excelente trabalho" de Demian Fiocca, que "consolidou o BNDES como um banco de desenvolvimento".
"Nos últimos 12 meses, o banco obteve recordes de aprovação de financiamentos e desembolso de recursos, com alta de 49% nas aprovações e 28% nos desembolsos", salientou o porta-voz, ao lembrar que os desembolsos do BNDES chegaram a R$ 56,8 bilhões nesse período.
Demian Fiocca queixou-se no Planalto dos rumores alimentados por Miguel Jorge sobre sua saída, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a pedir ao presidente a permanência dele, o que se tornou impossível pela promessa feita por Lula a Miguel Jorge, de que haveria substituição do comando no BNDES. Segundo o ministério, não se prevêem novas trocas na diretoria do banco.