Título: Maia adia prazo para candidaturas à Mesa da Câmara
Autor: Ulhôa, Raquel
Fonte: Valor Econômico, 31/01/2013, Política, p. A9

O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), adiou das 19h de amanhã para as 22h de domingo o prazo limite para o registro de candidaturas aos cargos da Mesa Diretora da Casa e, assim, aumentou as especulações sobre a disputa, marcada para segunda-feira.

O motivo é que essa foi a única agenda alterada por Maia, já que ele manteve o prazo para a formação dos blocos parlamentares e para a reunião de líderes para escolher os cargos da Mesa para amanhã, respectivamente às 12h e às 15h. São composições que podem alterar substancialmente o cenário de sua sucessão. Por um lado, porque haverá prazo suficiente para que insatisfeitos com os resultados de amanhã possam se articular para registrar os nomes para as Mesa no domingo. Por outro, para que os satisfeitos não ameacem as candidaturas já colocadas.

Deputados apontam como maior beneficiário da decisão do petista o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), favorito na eleição contra Júlio Delgado (PSB-MG) e Rose de Freitas (PMDB-ES). Duas razões são apontadas para essa avaliação. Uma delas é que Alves ganha tempo para resolver, junto com Maia, o imbróglio envolvendo o PSDB e o PSD. Ambos traçam um duelo nos bastidores cujo objetivo é ocupar a primeira-secretaria da Casa, o terceiro principal cargo da Mesa Diretora e responsável pela administração. Tem direito ao posto a terceira maior bancada - e aí é que reside o problema. O PSD tem 51 deputados, contra 50 do PSDB, mas os tucanos afirmam que um dos seus deputados que migrou para o PEN deve ser contabilizado como seu.

Há semanas Maia tenta um acordo entre as duas bancadas, sem sucesso. Alves teme perder apoio do partido que for prejudicado por uma decisão final e, segundo pemedebistas, pediu a Maia que adiasse a decisão até a véspera da eleição. Com isso, ganha tempo para um acordo e para constatar em qual bancada o prejuízo seria maior.

Além disso, no domingo já serão conhecidos os resultados de outras três disputas que poderão influenciar a sucessão da Mesa. Uma delas é a eleição para o Senado, que acontece amanhã. A avaliação é a de que se a candidatura de Renan Calheiros (PMDB-AL) não decolar, Alves se torna imbatível. No domingo também ocorrem eleições para as lideranças do PMDB e do DEM, bancadas que estão rachadas e cujos resultados podem também influenciar.

Finalmente, abre-se ainda prazo maior para eventuais desistências, como a da deputada Rose de Freitas, o que também beneficiaria Alves. Ou mesmo para que o PT possa, diante do noticiário negativo contra o pemedebista, alçar um nome viável para a eleição. Essa hipótese, porém, é improvável. Ontem, o líder do PT na Câmara dos Deputados, José Guimarães (CE), reafirmou apoio a Alves, mas alertou que exigirá prévio conhecimento da pauta de votações da Casa nos próximos dois anos. "Vamos querer exercer na plenitude nosso papel de maior bancada. Não tem debate sobre vetos, royalties, orçamento, nada que não passe por nós antes. Ou é assim ou a gente "vira a mesa"", disse.