Título: Queda do PIB espanhol se acelera e Rajoy adota medidas de estímulo
Autor: House , Jonathan
Fonte: Valor Econômico, 31/01/2013, Internacional, p. A11

Mariano Rajoy, o premiê espanhol, disse que irá enviar ao Parlamento um plano para estimular a economia e reempregar os jovens, na primeira grande iniciativa de seu governo para aliviar a dor de uma crise econômica de longa duração que se aprofundou no último trimestre do ano passado.

No quarto trimestre de 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) da Espanha caiu 0,7% em relação ao terceiro trimestre e 1,8% em relação ao mesmo período de 2011, disse ontem o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) em uma análise preliminar. O PIB para 2012 inteiro caiu 1,4% em relação a 2011.

O PIB retrocedeu 2,8% no quarto trimestre, a uma taxa anualizada ajustada pela sazonalidade, de acordo com cálculos do J. P. Morgan com base em dados oficiais espanhóis.

"Nós sabíamos que [2012]

iria ser um ano ruim", afirmou Rajoy no Parlamento. O primeiro-ministro disse que um plano de estímulo "e uma estratégia de fomento ao empreendedorismo e emprego dos jovens" em breve serão submetidos aos legisladores.

A quarta maior economia na zona do euro, enfrentando o colapso de um boom imobiliário que durou uma década, entrou em sua segunda recessão em três anos perto do fim de 2011. O ritmo de declínio acelerou no último trimestre de 2012, quando o pleno impacto das medidas de austeridade anunciadas em julho passou a se fazer sentir. Rajoy passou os primeiros 13 meses no cargo cedendo a pressões da União Europeia (UE) e dos mercados no sentido de reduzir um déficit orçamentário que superou 9% do PIB em 2011.

Mas depois que os dados divulgados na semana passada mostraram que a taxa de desemprego na Espanha atingiu 26% - e superior a 55% entre jovens com menos de 25 anos de idade - Rajoy sinalizou uma mudança, dizendo que vai aliviar a pressão da austeridade.

Na semana passada, ele disse que seu governo vai continuar a conceder alguns benefícios para os desempregados há bastante tempo enquanto a taxa de desemprego se mantiver acima de 20%. Disse também que vai estender um plano que oferece ajuda financeira à compra de carros novos. A indústria automobilística é uma dos maiores da economia espanhola.

Um elemento do plano de Rajoy mencionado no Parlamento ontem prevê a oferta de incentivos fiscais para ajudar jovens desempregados a fundar empresas. A ministra do Trabalho Fátima Banez disse na segunda-feira que o governo poderá permitir que pessoas com menos de 30 que se inscrevam como recém-autônomos a pagar € 50 (cerca de US$ 67) por mês durante os primeiros seis meses como contribuição para a seguridade social, ou seja, um desconto de cerca de 80% sobre a atual contribuição mínima, de aproximadamente € 250 por mês.

Embora os custos de tomada de empréstimos pela Espanha tenham caído substancialmente nos últimos meses, em parte devido aos esforços do governo para reduzir seu déficit fiscal, a melhoria ainda não aqueceu a economia.

O INE não fornecerá mais detalhes sobre o PIB do quarto trimestre até 28 de fevereiro, mas os gastos do consumidor, parte importante da economia espanhola, provavelmente aprofundaram seu declínio em consequência do aumento do imposto de valor agregado que entrou em vigor em setembro e de um corte salarial dos funcionários públicos que passou a valer em dezembro. As vendas no varejo em dezembro, ajustadas pela sazonalidade, caíram 10,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados divulgados na terça-feira.

Muitos analistas acreditam que o primeiro trimestre de 2013 será quase tão ruim para a economia espanhola quanto os três meses anteriores, mas eles dizem que a situação deve começar a melhorar depois disso. "Olhando para frente, nossa previsão é de que o PIB continue encolhendo em 2013, mas o quarto trimestre [de 2012] deverá revelar-se o pior em termos de contração trimestral", disse Gizem Kara, analista do BNP Paribas.

O governo de Rajoy espera obter algum alívio orçamentário, como contrapartida por seu cumprimento de determinações da UE. O Fundo Monetário Internacional recomendou que a Europa afrouxe um pouco sua pressão de austeridade e autoridades da UE sinalizaram, recentemente, que poderão fazê-lo.