Título: Estados produtores de commodities puxam alta da indústria
Autor: Grabois, Ana Paula
Fonte: Valor Econômico, 11/04/2007, Brasil, p. A3

Apesar da atual taxa de câmbio estar desfavorável às exportações brasileiras, os Estados produtores de commodities voltadas ao mercado externo apresentaram os melhores desempenhos industriais do país no primeiro bimestre deste ano, segundo a pesquisa regional da indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os preços de commodities como petróleo, minério de ferro, soja e celulose garantiram a Goiás, Pará, Espírito Santo e Paraná expansões industriais acima da média nacional (3,8%) para os dois primeiros meses de 2007. A indústria de Goiás, cuja produção cresceu 9,2% no primeiro bimestre, recebeu impacto positivo dos adubos e fertilizantes.

"Os Estados que produzem commodities sentem muito menos o peso do câmbio em termos de impacto, porque mantêm ainda o valor das commodities alto, o que compensa a perda de competitividade exportadora pelo câmbio" explicou a gerente da pesquisa, Isabella Nunes.

No Paraná, onde a indústria cresceu 5,7% em relação ao primeiro bimestre de 2006, o reflexo das exportações ocorreu nos segmentos de máquinas agrícolas e de alimentos. O minério de ferro contribui para o resultado do Pará, enquanto a extração de petróleo e gás foi o setor mais importante para a alta de 6,4% na indústria do Espírito Santo. No Rio, contudo, o petróleo não ajudou, pois a produção cresceu apenas 0,1% em relação aos primeiros dois meses do ano passado.

A apreciação do real sobre o dólar prejudicou quem produz manufaturados. Foi o caso do Amazonas, cuja indústria sofreu retração de 2,7% no bimestre. Segundo Isabella, o câmbio valorizado causou uma perda de competitividade à indústria do Amazonas devido à redução das exportações de celulares e à concorrência com os eletroeletrônicos importados.

A apreciação do real tem sido alvo de críticas de empresários e economistas por afetar negativamente as exportações e favorecer a entrada de produtos importados no país. Ontem, o dólar fechou cotado abaixo de R$ 2,03.

A produção da indústria de São Paulo, que concentra cerca de 40% da atividade do setor no país e é fortemente exportadora, registrou crescimento de 3,5% em fevereiro, acima da média nacional que ficou em 3% no mês. Segundo Isabella, o melhor desempenho de São Paulo reflete o maior dinamismo dos bens de capital, que têm puxado o crescimento da indústria nos últimos meses.

Na indústria paulista, as maiores altas no mês passado foram verificadas em máquinas para escritório e equipamentos de informática (45%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (20,3%) e máquinas e equipamentos (9,6%).

Os Estados do Sul também foram beneficiados pela expansão da produção de bens de capital, especialmente os voltados para agricultura, setor no qual existe uma expectativa de maior crescimento neste ano.

Em fevereiro, a produção industrial expandiu-se em 7 dos 14 locais pesquisados, comparativamente a janeiro, na série livre de influências sazonais. Todas as áreas com crescimento apresentaram taxas acima da média nacional, de 0,3%.

Em relação a fevereiro de 2006, nove regiões registraram aumento de produção, sobressaindo-se Espírito Santo (8,4%), Paraná (8,3%), Pernambuco (7,2%), Pará (7%) e Rio Grande do Sul (5,6%). Com ampliação acima da média nacional (3%), apareceram ainda Minas Gerais (3,3%), Santa Catarina (3,3%) e Nordeste (3,2%), além de São Paulo (3,5%). Inferior ao avanço nacional, mas com marcas positivas, estiveram Goiás (0,8%) e Ceará (0,3%).