Título: Eleito já tem programa de reformas
Autor: Moreira, Assis
Fonte: Valor Econômico, 08/05/2007, Internacional, p. A9

Cem dias para aprovar as primeiras reformas visando tirar a França do marasmo. É a aposta de Nicolas Sarkozy para aproveitar a lua-de-mel com a opinião pública.

Mas muito dependerá das eleições legislativas de junho. É a Assembléia Nacional que aprova o nome do primeiro-ministro, que tem a maioria das atribuições de governo na França. Sarkozy deve indicar François Fillon, um político conciliador e de pouca expressão, para premiê, o que sugere que o governo será mais presidencial.

O presidente eleito defendeu reformas no mercado de trabalho para dinamizar a segunda economia da zona euro. Ele deve submeter logo ao Parlamento a medida mais simbólica: acima de 35 horas de trabalho semanal, toda hora extra terá ganho adicional de 25% e será isenta de contribuição social.

Para Sarkozy, a medida pode relançar o poder de compra e incitar a extensão da jornada de trabalho, sem abolir diretamente a semana de 35h aprovada pelos socialistas.

O governo quer devolver os desempregados mais rapidamente ao mercado de trabalho. Um desempregado só poderá recusar duas ofertas de emprego, senão perde o seguro-desemprego. O pacote fiscal inclui permissão de deduzir dos impostos os juros pagos na compra do primeiro imóvel.

No chamado "pacote social", Sarkozy quer um serviço mínimo no transporte público, para evitar o caos com paralisações completas de trens e ônibus em caso de greve. Na segurança, quer endurecer as condições de entrada e estada de estrangeiros na França. Também será mais difícil para o estrangeiro trazer sua família. A pessoa precisará ter casa e emprego.

A ecologia também será visada nos primeiros cem dias. Um novo ministério de desenvolvimento sustentável, água, energia e transportes deve ser anunciado. Sarkozy prometeu uma taxa carbono e a criação de "fiscalidade ecologica".

Um dos grandes desafios, que é o peso da divida pública de 1,1 trilhão de euros(66,2% do PIB), ficará para mais tarde. O objetivo é reduzir a divida a 60% do PIB em 2012. Por ora, Sarkozy promete como medida simbólica substituir só metade dos servidores que se aposentam.