Título: Para Palocci, simplificação do sistema tributário resolveria o nó da reforma
Autor: Izaguirre, Mônica e Lyra, Paulo de Tarso
Fonte: Valor Econômico, 10/04/2007, Política, p. A9
O deputado Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro da Fazenda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu, ontem, a simplificação do sistema tributário do país como caminho mais curto para se chegar à reforma tão defendida por empresários e setores da economia. Em debate com o Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Palocci manteve um tom otimista em relação à economia nacional nas mais de duas horas de discussão.
De acordo com o ex-ministro, existe praticamente uma unanimidade nacional em torno da necessidade de reforma tributária, mas não existe consenso em relação a qual imposto reduzir. "Qual imposto devemos reduzir, a CPMF, o PIS/Cofins ou a folha de pagamento? A verdade é que não temos consenso nem no governo nem no meio empresarial", disse.
O deputado, que participou do debate na Fiesp coordenado pelo ex-deputado Delfim Neto (PMDB-SP), criticou a infinidade de programas criados com as mais variadas finalidades e que não são avaliados e nem são concluídos. Palocci defendeu o "imposto zero" para investimentos, argumentando que isso não significa perda de renda para o Estado.
Um dos empresários presentes ao debate quis saber do ex-ministro da Fazenda porque ele não colocou em prática essas idéias quando integrava o governo e era um dos principais ministro do governo Lula. "Não fizemos tudo o que gostaria de ter feito. Nem sempre é possível fazer o que se quer, o que se acha correto. Mas a pauta avançou bastante", afirmou.
Recorrente no debate, o tema da reforma tributária fez ainda com que Palocci defendesse a "simplificação" da legislação. Remetendo à pergunta do empresário que queria saber porque ele "não fez" quando estava no governo, o ex-ministro falou das dificuldades de ter acordos para qualquer mudança tributária. "É muito difícil ter acordos. Em vez da simplificação, a complicação aparentemente traz mais justiça. E com a complicação, todo mundo querendo manter garantias, a reforma vira um monstro. A idéia de simplificação não está consolidada e todo mundo quer a sua garantia", disse.