Título: Oposição pressiona Chinaglia a instalar
Autor: Jayme, Thiago Vitale
Fonte: Valor Econômico, 30/03/2007, Política, p. A20
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vai esperar o julgamento do caso da CPI do Apagão Aéreo pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) para instalar a comissão de inquérito. A oposição, em contrapartida, avisa que se o petista não determinar a instalação até a próxima terça-feira, poderá iniciar nova guerra no plenário da Casa. "Nós vamos aguardar a decisão final do plenário, como o próprio ministro (Celso de Mello) decidiu. Até lá, não há o que fazer", disse Chinaglia.
O líder do PFL, Onyx Lorenzoni (RS), discorda de Chinaglia. "Se a decisão do STF determina o desarquivamento da CPI, isso quer dizer que o presidente já pode publicar imediatamente o requerimento de abertura da comissão e pedir aos líderes para indicar os integrantes dela", disse. Para ele, se até terça-feira o presidente da Câmara não agir dessa maneira, "haverá guerra" no plenário. "O que está em jogo, agora, é a biografia do Chinaglia. Não há mais nenhum escudo jurídico ou político. Agora, depende só dele instalar a CPI", disse.
O deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), líder de seu partido na Câmara, não considerou a decisão de Celso de Mello uma derrota. "O plenário ainda vai decidir. O próprio ministro-relator pode mudar de opinião até lá. Vamos aguardar", disse o parlamentar fluminense.
Instalada imediatamente ou não, a oposição comemorou a decisão de Mello. "O STF restitui o direito das minorias. O movimento do governo federal para arquivar a CPI do Apagão Aéreo deixou o Congresso Nacional muito mal com a sociedade, porque preceitos constitucionais foram atropelados", comemorou o líder da Minoria, deputado Júlio Redecker (PSDB-RS).
"O governo fez reuniões interministeriais, enviou medidas provisórias ao Congresso e mostrou incompetência para tratar da crise aérea. Agora, o Congresso vai entrar nesse assunto", disse o vice-líder pefelista José Carlos Aleluia (PFL-BA).
O trabalho da oposição, agora, será disputar os cargos máximos da CPI. A relatoria e a presidência de uma comissão de inquérito são fundamentais. Como o governo tem maioria, teria o direito a indicar os nomes dos dois ocupantes desses cargos. "É preciso que se tenha bom senso. Um trabalho desses precisa ter as responsabilidades dividias", afirmou Redecker. Ele prevê uma batalha na comissão. "Teremos muitas dificuldades de aprovar requerimentos. Mas vamos lutar."