Título: Sobe cotação de Walfrido para a coordenação política do governo
Autor: Costa, Raymundo e Jayme, Thiago Vitale
Fonte: Valor Econômico, 13/02/2007, Política, p. A12

Na reta final da montagem do ministério do segundo mandato, o ministro Walfrido Mares Guia (Turismo) abriu uma cabeça de vantagem sobre os concorrentes ao posto do ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) na coordenação política do governo. Outros dois nomes cotados são o do deputado Carlos Wilson (PT-PE) e o do ex-governador do Acre Jorge Viana (PT). Em conversa ontem com o PMDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os deputados do partido terão uma representação no novo governo igual à dos senadores - ou seja, dois ministérios. Lula está arrematando as conversas com os partidos aliados do governo para fechar o novo ministério, segundo prometeu aos pemedebistas, em 15 ou 20 dias.

A conversa de Lula com o presidente do PMDB, Michel Temer, e os líderes na Câmara, Henrique Alves, e no Senado, Valdir Raupp, desarmou o chamado grupo "neolulista" do partido. Lula não só prometeu participação "igualitária" do Senado e da Câmara, como também assegurou a Temer que não tem preferência na disputa pelo comando do partido. Mas ressaltou que gostaria que o PMDB chegasse a uma solução consensual entre suas diversas alas. Temer respondeu que está disposto a conversar com Jobim, candidato que tem o apoio da ala governista e a simpatia do presidente da República.

Com essas garantias, os "neolulistas" do PMDB deixaram o Planalto aliviados. Por temerem que o antigo grupo governista manobrasse no sentido de deixá-los isolados, convencendo Lula a deixar a reforma do ministério para depois da escolha do novo comando partidário. O grupo já pensava até em adiar para abril a convenção para a escolha do novo presidente. O maior risco para a coalizão de Lula no Congresso é o PMDB da Câmara voltar a se dividir. Basta que entre 40 e 50 deputados do PMDB decidam votar contra o governo para "contaminar" setores de outras legendas aliadas, como PTB e PP. Juntos com a oposição (PSDB e PFL), esses setores podem comprometer o andamento de projetos como o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

"Haverá ampliação do espaço do PMDB, sem distinção de grupos no partido", disse Temer, ao sair da conversa com Lula. O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, confirmou a iniciativa de agradar os dois grupos do partido. "O PMDB em totalidade, os chamados PMDB do Senado e PMDB da Câmara, ambos setores irão participar do Ministério", revelou o ministro. Ele confirmou também a idéia de Lula de finalizar a reforma ministerial em "15 ou 20 dias". Nas contas de Genro, "isso quer dizer que até o final de fevereiro esta reforma deverá estar completa".

O presidente não adiantou quais Pastas caberão ao PMDB da Câmara - os senadores controlam os ministérios de Comunicações (Hélio Costa) e de Minas e Energia (Silas Rondeau) e já avalizaram a manutenção dos dois. Mas insinuou que o partido pode perder o Ministério da Saúde, para o qual voltou a ser cogitado o nome do deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Neste caso, o Ministério da Integração Nacional, atualmente ocupado por um afilhado político de Ciro, trocaria de mãos. Poderia até ir para o PMDB, mas o nome da Câmara para o governo, Geddel Vieira Lima (BA), preferiria outro ministério, como o de Transportes.

Geddel sente-se desconfortável com a idéia de ser obrigado a tocar uma das obras prioritárias do governo de Lula na área do Ministério da Integração Nacional, a transposição do rio São Francisco, que sofre forte oposição em seu Estado natal, a Bahia. O presidente, por seu turno, já teria decidido a chamar de volta para os Transportes o ex-ministro Alfredo Nascimento, eleito senador pelo PR (ex-PL) do Amazonas.

Tarso Genro confirmou ontem que considera encerrada sua missão na coordenação política desde que dois candidatos do campo governista chegaram ao segundo turno na eleição para presidente da Câmara. Mas como o presidente ainda levará entre 15 a 20 dias para fechar a reforma, a data passa a ser o anúncio do novo ministério. Ele quer ir para a Justiça, no lugar de Márcio Thomaz Bastos. Para seu posto passou a ser cogitado o nome de Walfrido Mares Guia, que tem trânsito entre todos os partidos do Congresso, e o do deputado Carlos Wilson, que também circula com desenvoltura no Senado. Jorge Viana não está descartado, mas perdeu terreno.

O presidente também está se acertando com o PT. O partido alega que perdeu espaço nos ministérios-fim (que executam obras e o Orçamento). Deve ser compensado com a nomeação de Marta Suplicy para a Educação ou Cidades. A conversa anda também com a ala esquerda do PT: o Ministério do Desenvolvimento Agrário pode ficar com o atual presidente de Itaipu, Jorge Samek, cujo cargo seria ocupado pelo ex-ministro do MDA, Miguel Rossetto. Os dois integram a tendência Democracia Socialista do PT.

Tarso Genro também acenou com a possibilidade de o PDT vir a integrar o ministério. "É um partido que tem porte de primeiro escalão", disse . (Com agências noticiosas)