Título: Executiva nacional petista avalia troca da direção
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 31/10/2006, Política, p. A12
Passado o processo eleitoral, marcado por denúncias de corrupção envolvendo integrantes do PT, a Executiva nacional petista reúne-se hoje para discutir a troca da direção partidária. Na pauta de discussões dos dirigentes, além do balanço das eleições em todo o país, está a antecipação do Congresso Nacional, instância máxima de decisões da legenda, do segundo semestre para os primeiros meses de 2007.
Não é só a manutenção de Marco Aurélio Garcia na presidência do PT que está em jogo. O Congresso poderá trocar toda a direção da legenda, escolhida no final de 2005 e com mandato previsto até 2008. Os nomes mais cotados para a direção são do próprio Marco Aurélio Garcia, que foi o coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e é assessor especial de Relações Internacionais do governo, e o do ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência. A escolha dos novos dirigentes poderá ser feita através do voto dos filiados ou pela escolha dos integrantes do Congresso.
O encontro partidário de hoje, em Brasília, discutirá também a punição dos envolvidos nos esquemas de corrupção. "Os integrantes do PT devem ter disciplina partidária e atuar dentro da legalidade. Vamos discutir os graus de responsabilidade dos envolvidos nas denúncias e definiremos a punição", disse o terceiro vice presidente do partido, Jilmar Tatto.
Na reunião da Executiva, Marco Aurélio Garcia deverá propor a formação de uma "frente" com partidos aliados, como o PCdoB, o PSB e, talvez, o PDT e o PV, para coordenar ações política nos períodos não eleitorais. Na pauta, estará também a abertura da direção partidária para representantes de fora do núcleo paulista. Garcia apoiou a reivindicação do recém-eleito governador de Sergipe, Marcelo Déda, pela redução da participação de dirigentes paulistas no comando do partido. "A direção do PT deve refletir uma composição geográfica mais ampla, na medida em que temos o PT forte e expressivo no Nordeste do país", disse. Garcia sugeriu que Déda assuma um "cargo de relevância" na direção, para "arejar" o debate partidário.
Garcia comentou o projeto de "coalizão" das forças políticas para o segundo governo Lula, e afirmou que a "frente" proposta por ele - a exemplo da Frente Ampla no Uruguai, ou da Concertação chilena - poderia ser ampliada para reunir, além das forças de esquerda, outros partidos mais ao centro. O governo Lula, de "esquerda-centro" terá como dois temas fundamentais o crescimento econômico e a realização da reforma política.
O crescimento "sustentado", com preservação da estabilidade e das garantias contra a vulnerabilidade externa terá de ser feito no "marco de preservação e aprofundamento da democracia", disse Garcia. O petista enfatizou a necessidade de acordo com a oposição, para garantir a aprovação da reforma política. "Isso não significa diluir as fronteiras entre governo e oposição; não queremos cooptar ninguém", disse repetidamente. "O que o governo busca é a realização de eventuais consensos". Para isso, Lula irá procurar representantes destacados da oposição para conversas. Ontem, o presidente reeleito e Garcia iniciaram contatos telefônicos com governadores aliados e candidatos governistas derrotados.
"Queremos realizar um governo de coalizão, que vai integrar todas as forças políticas", insistiu Garcia. Ele se recusou a dar detalhes sobre as mudanças no ministério. As escolhas, disse ele, se darão "com base no programa trabalhado nessa eleição, e com base na qualidade das pessoas designadas para ocupar os postos".