Título: Crédito ao consumidor atingiu no ano passado R$ 121 bi, 7,25% do PIB
Autor: Janes Rocha
Fonte: Valor Econômico, 13/01/2005, Finanças, p. C2

Os bancos e financeiras emprestaram R$ 121,6 bilhões para o consumo das pessoas físicas em 2004. Com esse volume, o crédito ao consumo atingiu o patamar 7,25% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, o mais alto desde 2001, quando chegou a 6,5% do PIB. Os dados constam de um estudo divulgado ontem pela Partner Consultoria, uma empresa especializada em análise de crédito ao consumidor. "Ainda é pouco, mas pelo menos chegamos a um nível mais próximo do civilizado", comentou Alvaro Musa, principal executivo da Partner e responsável pela pesquisa, referindo-se à participação no PIB. Segundo ele, nos países desenvolvidos a participação do crédito ao consumidor em relação ao produto varia de 15% a 20%. Quando se inclui as demais linhas de financiamento (principalmente o crédito imobiliário), para pessoas físicas e jurídicas, o Brasil fica muito atrás dos países desenvolvidos com apenas 26% do PIB em crédito contra 100% a 150% na Europa e Estados Unidos. O estudo da Partner mostra a evolução desde 1970. Em valores corrigidos, o total de crédito oferecido pelo sistema financeiro formal cresceu mais de dez vezes nesses 34 anos, de R$ 11,9 bilhões para R$ 121,6 bilhões. A participação no PIB saiu de 2,8% nos início dos anos 70, chegou ao pico de 5,4% antes de um longo período de queda que coincide com a fase de hiperinflação. A partir de 1990 o crescimento é contínuo e dá saltos depois do Plano Real. Álvaro Musa diz que só em 2004 o crédito ao consumidor subiu 22% em termos reais, puxado principalmente pelo empréstimo pessoal. Em 2003 não houve crescimento algum em relação a 2002 quando, devido à turbulência causada pelas eleições, houve uma queda. Para 2005, Musa acha que o crédito vai continuar crescendo, apesar das recentes elevações da taxa de juros básica (Selic). "O importante quando se fala em crédito ao consumidor é a confiança, mais do que a taxa de juros". Como a economia continua crescendo e gerando empregos, as pessoas se sentem mais seguras em se endividar, independente do custo, explica este especialista. Ainda de acordo com a pesquisa da Partner, o crédito ao consumo atingiu um recorde se comparado com o consumo privado brasileiro, ao representar 12,98% em 2004. Em valores absolutos, o consumo privado cresceu 488% nos últimos 34 anos. "Para os próximos dez anos, se o crescimento do PIB se mantiver a uma taxa anual de 4,5% e o consumo privado versus o PIB continuar na casa dos 60%, a carteira de empréstimos voltados ao consumo deve atingir a marca de pelo menos R$ 200 bilhões", prevê Musa.