Título: Papel e celulose sofre com queda nos preços da commodity e dólar
Autor: Flavia Lima e Luciana Monteiro
Fonte: Valor Econômico, 13/01/2005, Eu &, p. D2

A temporada de balanços referente ao quarto trimestre de 2004 das empresas de papel e celulose começa hoje em meio às expectativas comedidas dos analistas do setor. Para Catarina Pedrosa, do Banif Investment Banking, os três últimos meses do ano passado foram marcados pela queda do preço médio da celulose e por um real mais forte em relação ao dólar. Esses fatores devem fazer com que o lucro da Aracruz - empresa que publica hoje seu balanço - seja inferior ao registrado no terceiro trimestre de 2004, de R$ 368 milhões. Apesar dessa queda, afirma Catarina, expectativas positivas para o preço médio da tonelada de celulose em 2005 - que deve subir de US$ 531 para US$ 551 - devem impulsionar os ganhos de boa parte das empresas do setor. As projeções de desvalorização do real no período, completa a analista, também devem trazer benefícios às empresas - a maioria delas exportadoras com despesas em reais. "Estamos especialmente otimistas com relação a Suzano Bahia Sul", diz Catarina. Segundo ela, a anunciada operação de compra da Ripasa pela empresa em parceria com a Votorantim Papel e Celulose (VCP) - que deve ser concluída em março, segundo os analistas - deve trazer maior visibilidade à Suzano. "Será um processo semelhante ao que ocorreu com a VCP quando comprou uma participação na Aracruz", diz. Segundo Catarina, o preço alvo das ações da Suzano é de R$ 18,50, o que corresponde a um potencial de valorização de cerca de 40%. Catarina diz ainda que o momento pode ser bom para investir em Ripasa, em especial para o pequeno investidor. "Pode ser um meio mais barato de se tornar sócio da VCP e da Suzano", diz. Em relatório enviado a clientes, a equipe do Unibanco prevê que o balanço da Aracruz deve ter um impacto negativo sobre suas ações, uma vez que ele deve mostrar "o seu pior resultado operacional do ano". "Isso devido à valorização da moeda brasileira em conjunção com a queda em dólar do preço da celulose". Ao mesmo tempo, os analistas do banco esperam para o último trimestre de 2004 o maior lucro líquido do ano. Para o Unibanco, o preço-alvo para as ações da Aracruz é R$ 10,90. Rafael Taborda, da Geração Futuro, aposta em um cenário favorável para o setor de papel e celulose em 2005, marcado pelo aumento da demanda chinesa e pela flexibilidade operacional de algumas empresas - como a Suzano e a VCP - que atendem tanto o mercado externo quanto o interno. Segundo a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), a produção brasileira de celulose em 2005 deve atingir 10 milhões de toneladas e boa parte será destinada à exportação. A entidade estima ainda que a produção de papel cresça 3,5%, alcançando 8,4 milhões de toneladas. No ano passado, a produção de celulose alcançou 9,4 milhões de toneladas e a de papel, 8,1 milhões de toneladas. A Bracelpa prevê exportações de US$ 3,5 milhões em 2005. Na avaliação de Osmar Zogbi, presidente da entidade, o dólar mais fraco pode impactar o balanço das empresas do setor, mas não deve reduzir as exportações. "O setor é muito exportador e, mesmo com a moeda americana desvalorizada, deve manter as vendas para o exterior." Segundo ele, um dólar na faixa de R$ 3,00 a R$ 3,20 seria ideal para o setor. Os principais mercados da celulose brasileira têm sido a Europa, com 45% das vendas, seguida pela Ásia, com 32%, e América do Norte, com 19%. No ano passado, de acordo com dados da entidade, as vendas ao exterior foram de aproximadamente US$ 3,1 bilhões, uma alta de 9,5% em relação a 2003. Já nas exportações de papel, os principais mercados foram: América do Sul, com 40% do total; Europa, com 25%; Estados Unidos, com 20%; e África e Oceania, com 15%.