Título: Melhora do rating do país ajuda na gestão da dívida pública, diz Tesouro
Autor: Galvão, Arnaldo
Fonte: Valor Econômico, 18/05/2007, Finanças, p. C2
A melhor avaliação do Brasil por duas agências de classificação de risco - Fitch e Standard & Poor's - representa para a gestão da dívida pública a realização do cenário mais otimista considerado no Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2007. O secretário adjunto do Tesouro, Paulo Valle, afirma que isso significa, na prática, o alongamento da dívida com custo menor.
Além disso, outro efeito esperado pelo Tesouro é o aumento da base de investidores institucionais na dívida pública, como, por exemplo, bancos centrais e fundos de pensão, o que dará mais estabilidade.
Análises preliminares indicam que os estrangeiros são responsáveis por aproximadamente 3,5% da dívida interna e, desse universo, cerca de 65% têm perfil "estável". Desse total, 20% são de fundos de pensão que investem diretamente e os restantes 45% ficam com fundos mútuos e fundos de "asset management".
"A partir das emissões externas, notamos que outros investidores que não aplicavam aqui estão escolhendo o Brasil", comenta Valle.
Quanto à expectativa de menores custos de captação, o secretário adjunto dá dois recentes sinais verificados nesta semana. Nos leilões de quinta-feira, as NTN-B - títulos de longo prazo vinculados ao IPCA - foram colocadas com taxas abaixo de 6%. Além disso, os leilões de ontem das NTN-F com vencimento em 2017, colocaram esse título com taxas abaixo de 10%.
As boas condições de mercado também estimulam a estratégia de emissão de títulos denominados em reais no mercado externo. Ontem, o Global BRL 2028 foi vendido com taxa de retorno para o investidor abaixo dos 8,5% ao ano.
A Standard & Poor's divulgou na semana passada que, em média, os países na mesma situação de risco do Brasil levam um ano e três meses para chegarem ao grau de investimento. Mas, apesar da média, o Brasil pode ser promovido a grau de investimento em menos de um ano.
O cenário mais otimista do PAF 2007 significa que o estoque da dívida pública mobiliária federal interna (DPMFi) chegaria a R$ 1,23 trilhão em dezembro. No final do ano passado, ele ficou em R$ 1,09 trilhão. Além disso, o prazo médio dessa dívida interna seria de 36 meses, contra os 31,1 meses de dezembro de 2006.
Quanto à parcela mais curta da DPMFi - títulos que vencem em até 12 meses - o cenário mais otimista do PAF 2007 prevê participação de 29% do total. O ano passado encerrou-se com 35,7% de dívida de curtíssimo prazo.
Na composição do estoque da dívida pública mobiliária interna, o cenário mais otimista prevê que os títulos prefixados representariam 43% do total (foram 36,1% em dezembro de 2006). Os papéis ligados a índice de preços teriam participação de 27% na dívida interna, contra os 22,5% no último mês em 2006.
A parcela dos títulos vinculados à taxa básica de juros Selic fecharam em 2006 no patamar de 37,8%, mas o cenário mais otimista do PAF 2007 admite que essa fatia reduziria-se a 29%. A parte dos títulos ligada ao câmbio já representava muito pouco na dívida em dezembro de 2006 (1,3%) e o PAF otimista considera que ficaria e 1%.