Título: Siemens cresce com expansão do setor
Autor: Ribeiro, Ivo
Fonte: Valor Econômico, 31/05/2007, Empresas, p. B9

O bom momento vivido pela siderurgia mundial e brasileira tem refletido bem na carteira de contratos da indústria de equipamentos, serviços e tecnologia para o setor. A multinacional Siemens VAI Metals Technologies parece não ter do que reclamar. Uma das líderes mundiais no segmento, com receita anual de US$ 4 bilhões por ano, toca vários projetos no Brasil e se diz pronta para disputar novas encomendas no país.

Um dos principais contratos em andamento envolve a megausina da ThyssenKrupp, com Vale do Rio Doce, no Rio de Janeiro. A Siemens VAI é fornecedora da aciaria e de duas máquinas de lingotamento contínuo de placas, e outras instalações, como a unidade de refino do aço (conhecida pela sigla RH). "É o nosso maior projeto no Brasil", diz Norbert Petermaier, diretor executivo da empresa no Brasil.

A ThyssenKrupp CSA é uma siderúrgica com capacidade para produzir 5 milhões de toneladas por ano de placas para exportação com investimento de US$ 4 bilhões. Será a primeira usina de aço do Brasil a instalar um sistema de despoeiramento a seco de gases da aciaria, uma "tecnologia ambiental" da Siemens VAI. "Tem um custo maior, porém a sua eficiência é bem superior aos atuais sistemas", disse Petermaier. Segundo ele, hoje existem 12 desses equipamentos em operação no mundo, principalmente na China (a maioria em usinas da Baoesteel).

O contrato com a CSA foi assinado em setembro de 2006. A engenharia básica já está pronta e os equipamentos em fase de encomenda. A instalação começará no início de 2008. Hoje, a fabricante encomenda os componentes que fornece aos seus clientes em vários países, como China, Alemanha, Áustria, Itália e Brasil. "Nosso negócio é a engenharia tecnológica e a montagem final dos equipamentos", afirmou o executivo.

A Siemens VAI, resultado da união com uma divisão da austríaca VATech, adquirida em 2005, compete mundialmente com pesos-pesados dessa indústria - SMS Demag, Danieli (aços longos), Paul Wurth e as japonesas Mitsubishi (laminadores), Nippon Steel (aciaria e altos-fornos) e SPCO ( joint venture de Hitachi, Sumitomo e Kawasaki).

A empresa, conforme Petermaier, tem conquistado a liderança no fornecimento no Brasil. Outros projetos que ganhou foram os de expansão da Gerdau Açominas (nova máquina de lingotamento de placas e sistema RH) e de modernização de equipamentos da Cosipa (novo lingotamento contínuo, que tomará o lugar da atual máquina 3 em janeiro de 2008). A Siemens VAI ganhou também encomenda para parte (novo alto-forno e RH) da Cia. Siderúrgica de Tubarão (CST) e o novo laminador da Villares Metals, que entrou em operação em março deste ano.

A carteira de negócios no Brasil chega a US$ 400 milhões, no período de três anos, e pode ser encorpada com a disputa de projetos como o da expansão da Usiminas, que vai instalar novo alto-forno, aciaria, lingotamento de placas, coqueria e outros itens na usina de Ipatinga a partir do próximo ano. Há expectativas sobre os projetos da CSN, para duas usinas no Rio e Minas, bem como para a siderúrgica do Maranhão, ainda em fase de definição de local entre o governo, a Baosteel e a Vale do Rio Doce.

A empresa também aposta em encomendas na área de mineração e de meio ambiente. "Somos a número 1 no Brasil na siderurgia, onde estamos desde setembro de 1997", afirmou Petermaier, que vê com otimismo a expansão do setor de aço brasileiro e da indústria de mineração.

A Siemens VAI tem fábricas próprias na França, próximo de Lion, Alemanha, México e China. "A união Siemens e VAI agregou sinergias ao grupo Siemens, que se tornou um fornecedor completo de tecnologia, equipamentos e serviços para toda a cadeia da indústria siderúrgica", afirmou o executivo. Com isso, acrescentou, o grupo ganhou vantagens ante os concorrentes. "Vamos desde a área de redução do aço (alto-forno, coqueria e sinterização) até sistemas de laminação, em todos os tipos de produtos siderúrgicos".