Título: Oposição quer que Genro explique suposto vazamento em operação da PF
Autor: Ulhôa,Raquel
Fonte: Valor Econômico, 11/06/2007, Política, p. A6
Os partidos de oposição querem que o Congresso investigue a acusação de que Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez tráfico de influência. O ministro da Justiça, Tarso Genro, pode ser chamado a esclarecer como Lula soube da operação da Polícia Federal na casa do irmão. A oposição quer apurar também o suposto envolvimento de outras pessoas próximas de Lula na máfia de caça-níqueis - investigada pela PF na Operação Xeque-mate -, como seu compadre Dario Morelli Filho. Falta à oposição consenso sobre o procedimento legislativo mais adequado.
A decisão deve ser tomada nesta semana. Vavá foi indiciado por tráfico de influência e exploração de prestígio. Escutas telefônicas indicam que o irmão de Lula fazia lobby para os bingos. Já o compadre de Lula seria sócio de Nilton Cézar Servo, dono de máquinas de caça-níqueis em vários Estados.
O presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse que há dois fatos graves a serem apurados: se e como Lula soube antes da operação na casa de Vavá e de que forma Dario operou no governo. "Se Lula soube pela PF é gravíssimo porque o envolvido pode desmontar provas. E o caso do compadre é mais complexo. Não sabemos até onde foi a participação dele", disse. O deputado defende, no entanto, "cautela" e "reflexão maior" antes de decidir como o Congresso pode investigar.
A criação de uma CPI, proposta pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), encontra resistência. "O assunto merece uma investigação desse porte, mas não podemos fazer um festival de CPIs", diz o deputado Chico Alencar (P-SOL-RJ). Por causa do "acúmulo de CPIs", o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), defende reunião de líderes e dirigentes partidários para escolher o instrumento mais eficaz. "O Vavá é reincidente. Há dois anos, surgiu denúncia de tráfico de influência contra ele. Não foi levada a sério e ninguém fez nada. Agora, essa história tem que ser passada a limpo", afirmou.
Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), o caso deve ser investigado pela Comissão de Fiscalização e Controle, num primeiro momento, e avançar para a criação de uma CPI apenas se for necessário. "A CPI não pode virar arroz de festa. É um instrumento que não pode ser vulgarizado", diz. "Esse é mais um escândalo envolvendo pessoa próxima ao presidente. E ele tem uma habilidade enorme para se livrar. O povo decidiu que nada pega nele."
O líder do PSDB na Câmara, Antônio Carlos Pannunzio (SP) vai propor convocação do ministro da Justiça por uma comissão permanente - Constituição e Justiça ou Fiscalização e Controle. "Ele deve explicar a ação da polícia, se houve ou não comunicação prévia ao presidente e, se houve, em que termos ocorreu", diz.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - que retornou a Brasília na noite de ontem, depois do fim de semana em São Bernardo do Campo (SP) - reúne a coordenação política de governo na manhã de hoje. A Operação Xeque-mate deve ser o principal assunto da reunião semanal, do qual participam os principais ministros da Esplanada.
A prioridade do P-SOL, aprovada ontem no congresso do partido, é a realização de um esforço final para instalar a CPI da Navalha. Segundo Alencar, se ela for criada, pode também apurar os fatos ligados à Operação Xeque-mate, já que a Polícia Federal terá de ser ouvida. Ele também cogita a convocação do ministro da Justiça. (Com agências noticiosas)