Título: PT aceita negociar lista flexível com financiamento
Autor: Jayme, Thiago Vitale
Fonte: Valor Econômico, 19/06/2007, Política, p. A7
O diretório nacional do PT autorizou ontem a bancada do partido na Câmara a negociar com as demais siglas a aprovação de uma lista fechada "flexível" na reforma política em debate no Congresso. A sigla faz duas exigências: só aceitará a relação pré-ordenada flexível se ela vier acompanhada do financiamento público de campanha e da proibição de campanhas individuais. Até ontem, o partido tinha posicionamento firme em torno da lista totalmente fechada.
Nos modelos de lista flexível, além de votar apenas no partido, o eleitor pode também referendar alguns dos candidatos nela incluídos ou ainda mudar o ordenamento dos nomes previamente feito pela legenda. Na prática, a lista flexível tem levado a resultados semelhantes aos da lista fechada.
Embora tenha reafirmado a posição pela lista fechada, a decisão do diretório nacional é uma mudança de rumo. A alteração se deve à derrocada na tentativa de votar a lista totalmente pré-ordenada na Câmara, na semana passada. Hoje, o tema volta a ser debatido na Casa. O líder do PT na Câmara, Luiz Sérgio (RJ), está autorizado a negociar a lista na reunião de líderes, prevista para acontecer antes da sessão de hoje.
Todo o movimento petista visa à aprovação do financiamento público de campanha. "A mãe e o pai das crises que tivemos é o financiamento privado das campanhas. O financiamento público e exclusivo é a questão-chave da reforma", disse Luiz Sérgio. Com a lista fechada flexível, o PT acredita ser viável extinguir recursos privados em campanhas.
"Se tivermos garantias de que não haverá campanha individual nas eleições e de que o financiamento público será adotado, abre-se a possibilidade de uma lista flexível", afirmou o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini.
Na semana passada, havia um clima favorável até quarta-feira para a aprovação da lista fechada. Porém, um racha na bancada do PT, de aproximadamente 30 deputados, e a mudança de posição do PSDB transformaram a tendência em rejeição. Os tucanos mantiveram a posição contrária à lista nesta semana. O partido entende que o PT será beneficiado pela lista fechada, já que é a sigla mais claramente reconhecida pela população, segundo pesquisas de opinião.
O PT deverá apoiar uma emenda a ser formulada pelos deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Reginaldo Lopes (PT-MG) e Carlos Zarattini (PT-SP), três parlamentares insatisfeitos com a lista totalmente fechada defendida pela Executiva. "A decisão do diretório dá abertura à lista flexível. Vamos, assim, manter a lista fechada, mas daremos a oportunidade de o eleitor alterá-la", disse Teixeira.