Título: Salário na construção civil pressiona IGP-M
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 29/06/2007, Brasil, p. A3
Os reajustes dos salários dos trabalhadores do setor da construção e os produtos agrícolas estão entre os fatores que mais pressionaram a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M ) no mês de junho. O índice, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), registrou aceleração de 0,26% no mês, depois de leve variação positiva, de 0,04%, em maio.
"Nessa época do ano é normal haver um aumento do Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), por conta da alta da mão-de-obra do setor", disse Salomão Quadros, responsável pela pesquisa da Fundação Getúlio Vargas.
A alta da mão-de-obra na construção civil saltou de 0,55% para 2,94% entre maio e junho. Com isso, o INCC subiu de 0,55% para 1,67% no período, respondendo por dois terços da inflação registrada pelo IGP-M no mês. Em São Paulo, por exemplo, a mão-de-obra do setor subiu 5,87% em junho.
Já a entressafra agrícola e problemas na oferta de leite tiveram reflexos nos preços do atacado e do varejo. Segundo cálculos da fundação, o leite "in natura" subiu 6,64% no atacado neste mês e o produto em embalagem longa vida ficou 11,80% mais caro para o consumidor final. Devido ao aumento do leite e da entressafra de grãos, como a soja, no geral os produtos agrícolas subiram 0,11% em junho. Em maio, esses produtos haviam registrado uma deflação de 2,67% .
Por outro lado, a safra da cana-de-açúcar atenuou um pouco o avanço dos preços do segmentos agrícola e empurrou para baixo os produtos industriais, que passaram de uma inflação de 0,75%, no mês anterior, para uma queda de preços de 0,03% agora.
O preço da cana-de-açúcar caiu, em média, 10,17% no atacado, enquanto o álcool etílico hidratado recuou 9,50%. Esses movimentos devem ajudar a manter a tendência de queda do álcool combustível no varejo, que já recuou 4,91% em junho.
Em julho, segundo Quadros, a inflação deve ficar um pouco maior, em torno de 0,30%.